« A única verdadeira finalidade do amor é a evolução espiritual ou humana. »— Scott Peck
De todos os progressos da humanidade, o domínio progressivo do comportamento é talvez o mais antigo, o mais difícil e o mais decisivo. Trata-se de transformar um primata natural — dominado pelos seus instintos, pela agressividade, pelo desejo de se afirmar em detrimento dos outros — num ser humano plenamente respeitoso dos seus semelhantes.
Este capítulo explora esse longo caminho. Desde a filosofia do comportamento até à crueldade e à perversão, desde os interditos e os tabus até à moral e ao direito, desde o pessimismo até ao progresso real — cada página avança um pouco mais nessa compreensão fundamental da nossa espécie.
« éramos primatas naturais, maioritariamente instintivos. Somos homens construtores, oscilando entre domínio e não-domínio dos nossos instintos. E evoluímos para humanos realizados, plenamente donos de nós. »— Jean-Marc Tonizzo
Filosofia do comportamento — O estudo das pulsões, dos instintos e dos interditos. Como a humanidade transformou progressivamente a sua «moral instintiva» em leis, em ética e em valores universais. O papel da consciência, da vontade e da razão nessa transformação extraordinária.
Crueldade e perversão — Por que certos comportamentos humanos ultrapassam em crueldade os dos animais? A análise da crueldade e da perversão como patologias construídas pela sociedade, e não como fatalidades da natureza humana. Do instinto do bem à moral ensinada e aprendida.
História dos interditos — Dos tabus ancestrais à moral religiosa, do direito laico às leis contemporâneas — a longa história dos interditos humanos que comprimem progressivamente as pulsões agressivas e constroem a humanidade passo a passo.
Filosofia dos transgressivos — O paradoxo fundamental: o transgressivo é ao mesmo tempo um obstáculo à evolução e um dos seus instrumentos. Sem ele, o direito não evoluiria. Ao obrigar o legislador a criar novas leis, o transgressor constrói, sem o saber, os instrumentos da sua própria extinção.
Consciência e obrigação — O papel do inconsciente, da psicologia e da espiritualidade na compressão progressiva das pulsões. Como a humanidade aprendeu a transformar a culpabilização em responsabilização, e o castigo físico em cuidado psicológico.
Evolução não é superioridade — Uma precisão fundamental: a humanidade é a espécie mais desenvolvida no domínio do comportamento, mas isso não a torna superiora à criação. O amor como verdadeiro instrumento de medida da evolução. A baleia, desprovida de agressividade, pode estar mais evoluída do que nós.
Pessimismo e filosofia — A ilusão de evoluir para pior. Não é o mundo que está cada vez mais mau — é a nossa sensibilidade ao mal que progride. Análise das correntes pessimistas, de Schopenhauer a Nietzsche, e da razão pela qual a maioria humana permanece optimista.
Regressão e evolução — As fases de regressão fazem parte do processo evolutivo. Como a humanidade avança para a sua unificação, atravessando crises, guerras e recuos, sob a lei do mercado mas também apesar dela.
Dualismo — discórdia e concórdia — Da insociável sociabilidade do ser humano descrita por Kant ao paradoxo hegeliano do amo e do escravo. A tensão permanente entre instinto e consciência, entre pulsão e razão, é o verdadeiro motor da evolução humana.
Kant e a história universal — «Ideia de uma história universal do ponto de vista cosmopolítico». O texto fundamental de Kant sobre a insociável sociabilidade e o plano escondido da natureza para conduzir a humanidade a uma constituição civil perfeitamente justa.
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement