système simplifiant tellement le travail qu'on finira par avoir besoin d'un cerveau électronique pour se tourner les pouces. Noctuel
A nossa sabedoria sendo ainda imperfeita, a contemplação, na nossa própria solidão, não está ao nosso alcance. Então, para não nos angustiarmos demasiado, temos de fazer o trabalho que será feito um dia pelos nossos robôs. Faggiani
LA pressão constante e exponencial da lei, da moral, da EDUCAÇÃO, da psicologia, etc. obriga-nos a dominar cada vez melhor as nossas pulsões. Assim, as nossas pulsões de dominação, que levam frequentemente o homem a impor-se acima do seu semelhante para fazer dele seu ESCRAVO, deslocam-se progressivamente sobre nós próprios.
Por outras palavras, o homem tem de aprender a dominar cada vez melhor o seu instinto de dominação porque este ser um delito cada vez mais castigado em todo o planeta.
Com o passar do tempo, todas as nossas pulsões de dominação estão destinadas a ficar por baixo do desejo de igualdade.
Essa tendência para exprimir os nossos desejos primários – dominação, atitude de predador, agressividade – torna-se contida pela educação e os interditos, mas também pela tecnologia.
De facto, já não podemos deixar livre curso às nossas pulsões na medida em que a maior parte do nosso meio ambiente nos exige uma certa vigilância, um certo domínio de si. Temos de estar atentos ao atravessar a estrada, concentrados no trabalho ou quando estamos a utilizar ferramentas, concentrados ao cozinhar, na escola, ao conduzir, etc.
Quando conduzimos por exemplo, temos de conter a nossa agressividade, a nossa impulsividade, para não corrermos nós próprios um grande risco.
Entre o primata natural que éramos, e o homem em que nos tornamos, o número de ferramentaS, de UTENSÍLIOS e de OBJECTOS cuja gestão possuímos, evoluiu consideravelmente.
Se a maior parte dos macacos aprenderam a usar alguns objectos – pau, pedra – o homem contemporâneo d, quase todos os dias, manipular uma quantidade enorme de aparelhos, instrumentos, máquinas.
“Manipulado, automatizado, o homem perde pouco a pouco a noção do seu ser.” Vaclav Avel
Progressivamente, os OBJECTOS e as ferramentaS do homem tornaram-se mais sofisticados, mais complexos, e estão-se pouco a pouco à automatizar, a robotizar.
Podemos considerar a auTOMATIZAÇÃO sob dois aspectos:
- Um aspecto positivo, se consideramos que a automatização liberta progressivamente o homem das suas obrigações, lhe evita um desperdício de energia, e lhe oferece (em princípio) cada vez mais tempo livre que dá para aproveitar para o sua realização pessoal ou o seu prazer.
- Um aspecto negativo, se consideramos, pelo contrário, a automatização como uma criadora de desemprego e de alienação, como entravo a humanização e a socialização.
Comecemos por nos afastar dessa última visão pessimista, que nos parece parcialmente inexacta.
De facto, poderíamos culpar a ROBOTIZAÇÃO e a auTOMATIZAÇÃO pelos problemas que parecem efectivamente derivar desses inventos – aumento do desemprego, desumanização do trabalho, alienação da tecnologia, diminuição das relações sociais, etc.
Porém, se olharmos com mais atenção, nem o progresso tecnológico, nem a automatização, nem mesmo o objecto constituem a razão desses males. O culpado é o homem e a sua maneira de utilizar as suas invenções.
Será que o mundo desabava caso tais leis chegassem a impor-se? Quanto tempo precisaria a sociedade humana para adoptar uma forma de evolução assim?
“As bombas atómicas robôs não tem escolha para fazer nem decisão para tomar.”Van Voght
A caminho de uma humanidade respeitosa.
Com a ajuda de uma verdadeira intenção mundial, os homens conseguirão suavizar as condições de vida, e assim também as relações humanas nas nossas sociedades.
Com a ajuda de uma verdadeira intenção, os mídias conseguirão exaltar e desenvolver valores generosos, filantropos, benevolentes e altruístas na humanidade (o que criará, obviamente, uma barragem contra todas as reacções opostas).
Na realidade, a maior parte dos problemas atribuídos ao progresso ou a automatização são o fruto do desrespeito do homem em relação ao homem. Os problemas resultam da nossa capacidade em tratar os outros como escravos em vez de querer o melhor para eles.
Utilizado por uma humanidade respeitosa, a auTOMATIZAÇÃO tornaria “humano”, ao contrário de hoje, o trabalho dos seus operários, oferecendo-lhes mais tempo livre, mais tempo para se educarem e criarem os seus filhos.
A utilização malevolente do trabalho em cadeia resulta da incapacidade humana em reconhecer outrem de forma correcta.
O objectivo real e final da robotização é de assumir a maior parte das actividades manuais mas também psíquicas que ocupam o espírito humano.
Progressivamente, as máquinas substituem a inteligência, a organização, a gestão, a memória (vigilância, detecção, controle, medida, gestão, reconhecimento das formas, identificação a partir de múltiplos critérios, ajuda a decisão, a concepção, ao diagnostico, a manutenção …).
Essas máquinas retiram progressivamente do psiquismo uma quantidade de preocupações que anteriormente atormentavam o homem.
Esse alívio de actividade permite-nos, já hoje, poupar uma energia física considerável e conduz progressivamente a nossa espécie para a felicidade, a paz e a serenidade.
Aquilo a que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de um objectivo, numa orientação positiva, convicta e decidida do espírito, ou seja, na paz da alma.” Thomas Mann
Como já dm ter percebido no final deste capítulo, na nossa opinião, consideramos que a robotização é positiva para a humanidade.
Além dos favores trazidos pela auTOMATIZAÇÃO às sociedades contemporâneas, a nossa filosofia vê na ROBOTIZAÇÃO uma das condições de acesso à SABEDORIA pela humanidade, uma das condições de acesso à contemplação e ao extâse.
Quando o homem troca um bem por um mal e utiliza, por exemplo, malevolamente a robótica, acontece apenas porque ele não resolveu os maiores problemas psicológicos ligados a sua metamorfose (metamorfose que implica a perda progressiva de um certo número das suas tendências e dos seus instintos).
Assim, se prolongarmos no futuro essa automatização progressiva da humanidade, parece evidente que ela nos conduz para um tempo onde a máquina tratará do conjunto de actividades constrangedoras da humanidade.
Quando a humanidade estará completamente realizada, o ser humano viverá certamente num mundo onde todas as suas tarefas ingratas serão inteiramente robotizadas (uma robotização BENEVOLENTE obviamente, já que a humanidade realizada assina, ao mesmo tempo, o fim do comportamento associal e violento).
O homem, assim libertado de todas as suas penosas tarefas, poderá dedicar-se inteiramente ao sossego, a contemplação, e aos êxtases da espiritualidade (que são superiores, vamos demonstra-lo mais a frente, a qualquer forma de prazer conhecido).
Hoje, é demasiado difícil, para a maior parte de nós, aceder facilmente a esse estado sublime de felicidade absoluta ou de extâse. O esforços de ascetismo e de domínio que exige são ainda demasiado violentos para que o homem tenha vontade de consagrar-lhe inteiramente a sua vida.
Como homens construtores sobrecarregados de desejo de prazer e de vontade irrepressível de agir para aceder a todos esses prazeres, a ideia de ociosidade (contemplação) é-nos insustentável.
Já não será certamente o caso no futuro. Prolongando a sua metamorfose, o espírito humano vai progressivamente desviar-se do gosto pela ACÇÃO e para os prazeres violentos para preferir cada vez mais a felicidade da contemplação.
Essa é que é, segundo pensamos, a finalidade de essa robotização progressiva que vemos desenvolver-se na humanidade. Ela existe para permitir ao homem dedicar o seu tempo de vida à felicidade e a meditação contemplativa (cujo verdadeiro significado vamos abordar nos próximos capítulos).
2001
Bergson
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement