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Progresso e domínio das pulsões

système simplifiant tellement le travail qu'on finira par avoir besoin d'un cerveau électronique pour se tourner les pouces. Noctuel

jean marc tonizzo, oeuvre sur toile A nossa sabedoria sendo ainda imperfeita, a contemplação, na nossa própria solidão, não está ao nosso alcance. Então, para não nos angustiarmos demasiado, temos de fazer o trabalho que será feito um dia pelos nossos robôs. Faggiani

LA pressão constante e exponencial da lei, da moral, da EDUCAÇÃO, da psicologia, etc. obriga-nos a dominar cada vez melhor as nossas pulsões. Assim, as nossas pulsões de dominação, que levam frequentemente o homem a impor-se acima do seu semelhante para fazer dele seu ESCRAVO, deslocam-se progressivamente sobre nós próprios.

Por outras palavras, o homem tem de aprender a dominar cada vez melhor o seu instinto de dominação porque este ser um delito cada vez mais castigado em todo o planeta.

Com o passar do tempo, todas as nossas pulsões de dominação estão destinadas a ficar por baixo do desejo de igualdade.

Essa tendência para exprimir os nossos desejos primáriosdominação, atitude de predador, agressividade – torna-se contida pela educação e os interditos, mas também pela tecnologia.

De facto, já não podemos deixar livre curso às nossas pulsões na medida em que a maior parte do nosso meio ambiente nos exige uma certa vigilância, um certo domínio de si. Temos de estar atentos ao atravessar a estrada, concentrados no trabalho ou quando estamos a utilizar ferramentas, concentrados ao cozinhar, na escola, ao conduzir, etc.

Quando conduzimos por exemplo, temos de conter a nossa agressividade, a nossa impulsividade, para não corrermos nós próprios um grande risco.

Entre o primata natural que éramos, e o homem em que nos tornamos, o número de ferramentaS, de UTENSÍLIOS e de OBJECTOS cuja gestão possuímos, evoluiu consideravelmente.

Se a maior parte dos macacos aprenderam a usar alguns objectos – pau, pedra – o homem contemporâneo d, quase todos os dias, manipular uma quantidade enorme de aparelhos, instrumentos, máquinas.

 

Automatização, robotização, mecanização

“Manipulado, automatizado, o homem perde pouco a pouco a noção do seu ser.” Vaclav Avel

jean marc tonizzo, montage 28Progressivamente, os OBJECTOS e as ferramentaS do homem tornaram-se mais sofisticados, mais complexos, e estão-se pouco a pouco à automatizar, a robotizar.

Podemos considerar a auTOMATIZAÇÃO sob dois aspectos:

- Um aspecto positivo, se consideramos que a automatização liberta progressivamente o homem das suas obrigações, lhe evita um desperdício de energia, e lhe oferece (em princípio) cada vez mais tempo livre que dá para aproveitar para o sua realização pessoal ou o seu prazer.

- Um aspecto negativo, se consideramos, pelo contrário, a automatização como uma criadora de desemprego e de alienação, como entravo a humanização e a socialização.

Comecemos por nos afastar dessa última visão pessimista, que nos parece parcialmente inexacta.

De facto, poderíamos culpar a ROBOTIZAÇÃO e a auTOMATIZAÇÃO pelos problemas que parecem efectivamente derivar desses inventos – aumento do desemprego, desumanização do trabalho, alienação da tecnologia, diminuição das relações sociais, etc.

Porém, se olharmos com mais atenção, nem o progresso tecnológico, nem a automatização, nem mesmo o objecto constituem a razão desses males. O culpado é o homem e a sua maneira de utilizar as suas invenções.

  • De facto, é o homem dominante que prefere (seria até mais correcto dizer “que é obrigado a”) mover as suas sociedades utilizando os mecanismos da ESCRAVATURA, do ABUSO, da ALIENAÇÃO, em vez de optar por sistemas que respeitam o indivíduo. É o homem que, apesar de já ter meios para isso, recusa as organizações baseadas sobre o bem-estar da população, sobre a solidariedade, a cultura, a diminuição do tempo de trabalho, a sua partilha e a partilha das riquezas…
  • De facto, é o homem dominante que prefere impor como regra de evolução a competição feroz em vez da competição lúdica e respeitosa, a produtividade insensata em vez da qualidade, o rendimento inconsciente em vez do rendimento consciente e respeitoso do planeta e dos animais que nos servem de alimento, o proveito em detrimento das condições de trabalho valorizantes…
  • De facto, é o homem dominante que recusa impor o dia de trabalho de 4 horas a escala mundial, nenhum trabalhador de menos de 16 anos, a interdição de qualquer cadência que robotize o ser humano, a colocação do dobro de pessoal para tornar o trabalho confortável, um salário decente para todos…
  • São mesmo esses os valores comunicados por homens que endurecem as condições de vida da humanidade, que desenvolvem o narcisismo, o centrismo ocidental, o individualismo, a competição selvagem, a violência, o proveito autista, e o não respeito pelos outros?

Será que o mundo desabava caso tais leis chegassem a impor-se? Quanto tempo precisaria a sociedade humana para adoptar uma forma de evolução assim?

 

Bons ou maus robôs?

tom price Meltdown Chair“As bombas atómicas robôs não tem escolha para fazer nem decisão para tomar.”Van Voght

A caminho de uma humanidade respeitosa.

Com a ajuda de uma verdadeira intenção mundial, os homens conseguirão suavizar as condições de vida, e assim também as relações humanas nas nossas sociedades.

Com a ajuda de uma verdadeira intenção, os mídias conseguirão exaltar e desenvolver valores generosos, filantropos, benevolentes e altruístas na humanidade (o que criará, obviamente, uma barragem contra todas as reacções opostas).

 Na realidade, a maior parte dos problemas atribuídos ao progresso ou a automatização são o fruto do desrespeito do homem em relação ao homem. Os problemas resultam da nossa capacidade em tratar os outros como escravos em vez de querer o melhor para eles.

Utilizado por uma humanidade respeitosa, a auTOMATIZAÇÃO tornaria “humano”, ao contrário de hoje, o trabalho dos seus operários, oferecendo-lhes mais tempo livre, mais tempo para se educarem e criarem os seus filhos.

 A utilização malevolente do trabalho em cadeia resulta da incapacidade humana em reconhecer outrem de forma correcta.

O objectivo real e final da robotização é de assumir a maior parte das actividades manuais mas também psíquicas que ocupam o espírito humano.

Progressivamente, as máquinas substituem a inteligência, a organização, a gestão, a memória (vigilância, detecção, controle, medida, gestão, reconhecimento das formas, identificação a partir de múltiplos critérios, ajuda a decisão, a concepção, ao diagnostico, a manutenção …).

Essas máquinas retiram progressivamente do psiquismo uma quantidade de preocupações que anteriormente atormentavam o homem.

Esse alívio de actividade permite-nos, já hoje, poupar uma energia física considerável e conduz progressivamente a nossa espécie para a felicidade, a paz e a serenidade.

 

Robotização e extâse

Aquilo a que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de um objectivo, numa orientação positiva, convicta e decidida do espírito, ou seja, na paz da alma.” Thomas Mann

Como já dm ter percebido no final deste capítulo, na nossa opinião, consideramos que a robotização é positiva para a humanidade.

Além dos favores trazidos pela auTOMATIZAÇÃO às sociedades contemporâneas, a nossa filosofia vê na ROBOTIZAÇÃO uma das condições de acesso à SABEDORIA pela humanidade, uma das condições de acesso à contemplação e ao extâse.

Quando o homem troca um bem por um mal e utiliza, por exemplo, malevolamente a robótica, acontece apenas porque ele não resolveu os maiores problemas psicológicos ligados a sua metamorfose (metamorfose que implica a perda progressiva de um certo número das suas tendências e dos seus instintos).

Assim, se prolongarmos no futuro essa automatização progressiva da humanidade, parece evidente que ela nos conduz para um tempo onde a máquina tratará do conjunto de actividades constrangedoras da humanidade.

Quando a humanidade estará completamente realizada, o ser humano viverá certamente num mundo onde todas as suas tarefas ingratas serão inteiramente robotizadas (uma robotização BENEVOLENTE obviamente, já que a humanidade realizada assina, ao mesmo tempo, o fim do comportamento associal e violento).

O homem, assim libertado de todas as suas penosas tarefas, poderá dedicar-se inteiramente ao sossego, a contemplação, e aos êxtases da espiritualidade (que são superiores, vamos demonstra-lo mais a frente, a qualquer forma de prazer conhecido).

Hoje, é demasiado difícil, para a maior parte de nós, aceder facilmente a esse estado sublime de felicidade absoluta ou de extâse. O esforços de ascetismo e de domínio que exige são ainda demasiado violentos para que o homem tenha vontade de consagrar-lhe inteiramente a sua vida.
Como homens construtores sobrecarregados de desejo de prazer e de vontade irrepressível de agir para aceder a todos esses prazeres, a ideia de ociosidade (contemplação) é-nos insustentável.

Já não será certamente o caso no futuro. Prolongando a sua metamorfose, o espírito humano vai progressivamente desviar-se do gosto pela ACÇÃO e para os prazeres violentos para preferir cada vez mais a felicidade da contemplação.

Essa é que é, segundo pensamos, a finalidade de essa robotização progressiva que vemos desenvolver-se na humanidade. Ela existe para permitir ao homem dedicar o seu tempo de vida à felicidade e a meditação contemplativa (cujo verdadeiro significado vamos abordar nos próximos capítulos).

2001

Bergson

Robot

 

Somos autómatos em ¾ das nossas acções. Leibniz´

 

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