“Se a ciência evolui, é frequentemente porque um aspecto ainda desconhecido das coisas se desvenda de repente.” F. Jacob
Quem somos ? ... De onde vimos ? .... Para onde vamos ? ...
Esses são, geralmente, os grandes enigmaS que a humanidade tem de resolver.
Inicialmente Mágicas, as respostas que o homem trouxe à essas grandes perguntas foram retomadas pela filosofia e depois pela ciência e não cessam de avançar para a verdade.
Logo no início deste primeiro capítulo, actualizámos “AS Três Maiores Obras” que a humanidade iniciou de forma intuitiva desde que se distinguiu dos outros primatas. Estou a falar do domínio progressivo do comportamento, do meio-ambiente e do questionamento.
Dedicamos as duas primeiras partes deste capítulo ao estudo da actividade elaborada pela nossa espécie para dominar cada vez melhor o seu comportamento e o seu Meio-AMbienTE.
Agora, vamos nos debruçar sobre a grande Pergunta do domínio progressivo do nosso Questionamento.
Obviamente, reflectir não será certamente o privilégio do homem.
Basta observar a atitude do Macaco perante um objecto heteróclita ou o comportamento dos Elefantes perante o crânio descarnado de um dos seus semelhantes, para descartar de nós a hipótese segundo a qual o homem possuiria a exclusividade da interrogação e dos Questionamentos existenciais.
Mas somos sem dúvida os únicos que nos interrogamos com tanta insistência. Os únicos a fazer até disso, para algumas pessoas, uma profissão, uma Arte DE Viver, uma filosofia. Talvez também os únicos a trazer tantas respostas.
Basta ir a internet e percorrer sites enciclopédicos como o wikipedia para perceber a potência das interrogações humanas e a energia produzida pelo homem para as resolver.
Não existe nenhuma área relativa ao funcionamento do mundo, Material, animal, Vegetal e humano, que seja virgem de interrogações, de análise e de respostas.
A sofisticação incrível do nosso questionamento e da sua influência sobre a velocidade do nosso desenvolvimento, isso é que é tipicamente humano.
“No abismo sem fundo o meu olhar mergulhou. do átomo ao sol interroguei tudo.” Lamartine
LA resposta é sim, mais qual era a pergunta? Woody AllenA interrogação está então ao centro do desenvolvimento humano. Ela é o nosso Imperativo.
Ser uma pessoa social, consciente e mortal, induz irresistivelmente interrogações metafísicas.
Até poderíamos considerar essa faculdade como um “Novo instinto” de tanto o ser humano parecer incapaz de evitar os questionamentos e se esforçar por encontrar respostas.
A partir do momento em que a nossa espécie colocou verbalmente perguntas e conseguiu apontá-las e anotar as respostas, entrámos no mundo do Conceito e da filosofia. Uma nova etapa na “subida progressiva do espírito para um espírito superior” acabava de ser ultrapassada.
O indivíduo já não reagia apenas aos Estímulos Exteriores, podia colocar entre esses e o seu Acto um tempo DE Reflexão.
Esse tempo de reflexão é praticamente inexistente em certas espécies primárias como os Peixes ou os rEpteis.
Está realmente a desenvolver-se nos Mamíferos e nos Mamíferos superiorES, e encontra a sua plena realização no homem em que não cessa de aumentar.
Entre a dentada animal e justiça contemporânea, entre a copulação e o tantrismo, entre o confronto violento de duas comunidades e a diplomacia, interpõem-se milénios de reflexão.
Com certeza, ainda não atingimos a nossa perfeição.
Muito frequentemente, as nossas pulsões ultrapassam esse tempo de reflexão e a má fé, para preservar ou aumentar os seus privilégios, recusa o questionamento ou propõe respostas erradas.
Apesar de ainda não sermos “perfeitos”, dispomos hoje de todo o material necessário para colocar a arte da pergunta ao serviço da Verdade.
“A aparência requer arte e fineza; a verdade, calma e simplicidade .” Kant
LO Questionamento serve então, numa primeira etapa, para nos adaptarmos cada vez melhor ao nosso meio-ambiente, para construirmos a humanidade material, e para domesticar as reacções humanas.
Mas a sua finalidade vai bem mais além das suas contingências técnicas e até além do interesse filosófico. Prolonga-se em direcção aos lados mágicos da espiritualidade.
De facto, a potência do nosso questionamento aumenta incessantemente o número das nossas respostas e a Profundeza e a Clareza delas.
Essa clareza e essa profundeza conforta cada vez mais o homem, e isso transforma progressivamente a sua Relação Com A Vida.
Certas perguntas sem resposta aterrorizavam os homens das Cavernas. Essas interrogações já não assustavam os GRegoS, que as tinham resolvido a sua maneira, e muito Mistérios que os Gregos temiam foram adivinhados ao longo da história e já não assustam muitas pessoas hoje em dia.
O objectivo profundo do questionamento é então mais espiritual do que aquilo que parece. As respostas que lhe trazemos fazem subir na humanidade a taxa de serenidade, de tranquilidade, de filosofia, de sossego, condições imperativas para aceder a felicidade a qual todo o homem, como nos diz a filosofia, aspira (mesmo que os mecanismos da evolução devam inventar em permanência novas preocupações, novos stresses e novos questionamentos, para provocar, de certa maneira, a nossa progressão).
O questionamento é então, antes de tudo, um gerador de sossego, de serenidade e de tranquilidade.
2001
A ciência, por si só, é incapaz de responder a todas as perguntas e, apesar do seu desenvolvimento, nunca o será. Claude Lévi-Strauss
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement