Do prazer à consciênciaO desejo é falta de ser, está assombrado no seu ser mais íntimo pelo ser de que é o desejo. Jean-Paul Sartre, O ser e o Nada
Para a psicanálise, o desejo é irredutível às necessidades. É percebido como uma tensão a colmatar. Quando um desejo invade o espírito, o homem procura satisfazê-lo para aniquilar o desequilíbrio que gera. Sob esta forma, é uma espécie de motor primário — uma força instintiva (o apetite sexual, guloso, venal, etc.) que empurra o indivíduo para a ação.
O desejo sexual primário (o Eros) pode por exemplo perfeitamente dispensar a consciência, a razão e a análise. Estas faculdades são aliás antes um handicap para ele.
Mas o desejo pode igualmente apoiar-se na consciência e ser motivado por sentimentos superiores como a empatia ou a benevolência.
O desejo anima portanto as coisas a vários níveis. Pode inspirar um homem, um grupo de homens, uma nação, uma comunidade ou a humanidade inteira. É o caso por exemplo dos grandes valores humanos como a paz, a universalidade, o ecumenismo ou a igualdade.
Encontramo-nos portanto com duas formas de desejo :
Todo o indivíduo, quando é maltratado, revolta-se. Esta reação é válida para a maioria das espécies. A cultura humana trouxe-lhe no entanto algumas novidades — não apenas o ser humano recusa ser maltratado, mas recusa que se maltratem os seus semelhantes.
Se o homem deseja o melhor para si próprio, espera-o igualmente para toda a humanidade. A injustiça (tal como a desigualdade) indigna o homem. A maioria humana aspira portanto a um tratamento igualitário.
Esta tendência instintiva para a igualdade adivinha-se na evolução geral da humanidade. Há alguns milénios com efeito, o homem empreendeu um grande trabalho de reunião (da tribo, ao país, à nação, à comunidade e até esta aldeia planetária que está a estabelecer-se).
A mundialização faz parte das etapas desta unificação. Os homens reúnem-se progressivamente por detrás de uma identidade comum : a pertença à humanidade.
Sob estes auspícios universalistas, o estatuto de estrangeiro (o estrangeiro possuindo frequentemente menores privilégios), enfraquece em proveito do de cidadão do mundo — em proveito do estatuto de «igual».
Escrito em 2000 — desejo de unidade
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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