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O desejo de igualdade
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O desejo de igualdade

Filosofia de uma carência

martin luther kingDo prazer à consciência

O desejo é falta de ser, está assombrado no seu ser mais íntimo pelo ser de que é o desejo. Jean-Paul Sartre, O ser e o Nada

Para a psicanálise, o desejo é irredutível às necessidades. É percebido como uma tensão a colmatar. Quando um desejo invade o espírito, o homem procura satisfazê-lo para aniquilar o desequilíbrio que gera. Sob esta forma, é uma espécie de motor primário — uma força instintiva (o apetite sexual, guloso, venal, etc.) que empurra o indivíduo para a ação.

O desejo sexual primário (o Eros) pode por exemplo perfeitamente dispensar a consciência, a razão e a análise. Estas faculdades são aliás antes um handicap para ele.

Desejo individual, desejo universal

Mas o desejo pode igualmente apoiar-se na consciência e ser motivado por sentimentos superiores como a empatia ou a benevolência.

O desejo anima portanto as coisas a vários níveis. Pode inspirar um homem, um grupo de homens, uma nação, uma comunidade ou a humanidade inteira. É o caso por exemplo dos grandes valores humanos como a paz, a universalidade, o ecumenismo ou a igualdade.

Encontramo-nos portanto com duas formas de desejo :

  • Os desejos primários, oriundos dos instintos básicos e individualistas (cópula, dominação, predação).
  • E os desejos superiores, ligados aos grandes valores humanos (universalidade, fraternidade, igualdade, etc.).

O desejo de ser humanamente tratado

Todo o indivíduo, quando é maltratado, revolta-se. Esta reação é válida para a maioria das espécies. A cultura humana trouxe-lhe no entanto algumas novidades — não apenas o ser humano recusa ser maltratado, mas recusa que se maltratem os seus semelhantes.

Se o homem deseja o melhor para si próprio, espera-o igualmente para toda a humanidade. A injustiça (tal como a desigualdade) indigna o homem. A maioria humana aspira portanto a um tratamento igualitário.

O desejo de unificação

Esta tendência instintiva para a igualdade adivinha-se na evolução geral da humanidade. Há alguns milénios com efeito, o homem empreendeu um grande trabalho de reunião (da tribo, ao país, à nação, à comunidade e até esta aldeia planetária que está a estabelecer-se).

A mundialização faz parte das etapas desta unificação. Os homens reúnem-se progressivamente por detrás de uma identidade comum : a pertença à humanidade.

Sob estes auspícios universalistas, o estatuto de estrangeiro (o estrangeiro possuindo frequentemente menores privilégios), enfraquece em proveito do de cidadão do mundo — em proveito do estatuto de «igual».

Escrito em 2000 — desejo de unidade

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Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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