O homem como fim em si mesmo.Todas as pessoas humanas, possuindo uma dignidade que lhes é própria, são igualmente fins em si mesmas. Assim, nem as desigualdades naturais nem as hierarquias sociais indispensáveis devem conduzir a subordinar um ser humano aos outros como um simples meio o é a um fim, nem impedi-lo de realizar na medida dos seus meios intelectuais e morais, o pleno desenvolvimento das suas faculdades. [...]
A questão é portanto esta: é uma lei necessária para todos os seres racionais, de julgar sempre as suas ações segundo máximas tais que possam querer eles próprios que sirvam de leis universais? Kant — leia a continuação
Para iniciar a nossa reflexão sobre a discriminação e a igualdade, Kant pareceu-nos o mais apropriado.
O que é a discriminação? O que é a igualdade? Qual é a sua evolução na história? Qual é a sua necessidade, a sua lógica? Eis algumas questões às quais este capítulo tentará responder.
Num primeiro tempo, tentaremos fazer a genealogia do conceito de igualdade. Esta forma de conceber o mundo é tipicamente humana. Não aflora as outras espécies.
Na natureza com efeito, a desigualdade de prerrogativa e de poder é colocada como fundamento. É a base incontestável a partir da qual, por exemplo, os outros primatas organizam toda a sua existência.
Ao fazer emergir este conceito transcendente, o homem pôs em causa as desigualdades naturais. Trata-se aí de uma enorme mudança. Um dos maiores avanços na evolução do vivente. É sem dúvida o trampolim mais importante para o fenómeno humano.
Veremos em seguida porque é que as diferenças de potencial são essenciais ao progresso humano. E porque é que estas diferenças não justificam de modo algum os inverosímeis desfasamentos de tratamento entre indivíduos.
Numa terceira parte, debruçar-nos-emos sobre a noção de equidade. Para ser resolutamente positiva, a liderança deve convidar o povo a participar nas suas modalidades. Quando as regras são fixadas pelos únicos dominantes, ela não é senão um dos numerosos instrumentos da injustiça.
Refletiremos em seguida sobre a implicação do narcisismo na acentuação das desigualdades no seio da equidade. Faremos então a ligação entre a altura do narcisismo discriminante e a largura das desigualdades.
Colocaremos em seguida a questão da diversidade cultural. Da relação do homem com aqueles que considera estrangeiros. Mediremos a importância de reconhecer o contributo de cada grupo humano à evolução humana.
Veremos finalmente porque é que o coração da maioria dos seres humanos deseja inconscientemente a igualdade. Porque é que este desejo está na própria origem da evolução fulgurante desta noção sublime e transcendente.
2001 — igualdade
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement