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O divino — de Deus ao homem
Mécanique Universelle — versão portuguesa

O divino — de Deus ao homem

Consciência do ser ao ente

 Giorgio De Chirico,, 1Y de la mouvance métaphysiqueA filosofia, entre ciência e religião

O que é provar ? É reconduzir uma afirmação duvidosa, por um raciocínio tido como válido, a uma afirmação tida como certa. A. Lalande

O fundamento, o princípio criador de todas as religiões, de todas as místicas, de todas as grandes espiritualidades, é o divino, o imaterial, o ser. A base de todas as ciências é o fenómeno, o terreno, o ente. A filosofia faz a ligação entre os dois.

Nascida da mística e da ciência, a filosofia procura reunir o ser e o ente. Pretende reunir, de forma pragmática, o científico e o religioso. Os pré-socráticos (do século VII ao IV — dos milesios até aos sofistas) são os primeiros pensadores considerados filósofos pela história da filosofia ocidental. As suas pesquisas misturam o esotérico e o científico. Uma combinação que confirma a sua posição central entre o místico, o mítico e a pesquisa pragmática. Em suma, a primeira filosofia tem o coração na religião e o espírito na lógica.

Orfismo, Pitagorismo

Em relação com o êxtase

Mahirshi Un des grands gourous de la philosophie indienneFilosofia grega e hinduísmo

Quando é verdadeiramente pessoal e jorrando das origens, a oração encontra-se no limite do pensamento filosófico, torna-se filosofia no instante em que se abole toda a relação interessada com a divindade. Karl Jaspers

Terão ocorrido encontros entre o hinduísmo e o mundo arcaico grego ? Aparentemente, os historiadores ignoram-no. A meu ver, este tipo de cruzamento existiu. A história do ciclope nas aventuras de Ulisses é, segundo penso, uma prova disso. Esta criatura fantástica parece-me representar a figura do hindu e o seu 3.º olho simbólico. Alguns aventureiros gregos terão talvez chegado às margens deste mundo indiano. Demasiado impressionados por estas estranhas personagens, observaram-no talvez do exterior. Trouxeram daí recordações para uma Grécia primitiva ainda longe da filosofia. Esta imagem passou depois para a mitologia*.

* Para demonstrar esta proposição, seria necessário poder comparar a estatura dos Gregos arcaicos com a dos Indianos do mesmo período. Talvez a diferença de grandeza tenha dado a mítica imagem do gigante.

Se esta ligação existe, não é absurdo pensar que as experiências de êxtase, há muito praticadas na Índia, possam ter viajado até à Grécia pré-socrática. Isso explicaria a origem de correntes religiosas como o orfismo e o pitagorismo, que praticavam formas de êxtase (o orfismo partilha igualmente com o hinduísmo os conceitos de reencarnação e de metempsicose).

Os pré-socráticos e o êxtase

Aliás, a leitura de Tales de Mileto, de Anaximandro, de Pitágoras, de Heráclito, de Parménides, de Demócrito, de Anaxágoras ou de Empédocles parece-me eloquente. A maior parte destes primeiros filósofos terá sido iniciada nas experiências de êxtase. A transcendência transpira da maior parte dos seus escritos.

«As éguas que me arrastam pelas estradas famosas da divindade» — Parménides. Deus ou os Deuses escolhem quem querem de entre os mortais. Então, aquele que recebe a Saudação divina levanta-se e as palavras saem sozinhas da sua boca pois já não lhe pertencem. «Dize-lhes : sou filho da terra e do céu estrelado — A minha raça é celeste, vós sabeis-o também» (Orfeu).

Estes primeiros pensadores são tanto místicos como filósofos. É contudo a filosofia que os acolheu no seu seio — e com razão. Com efeito, se estes pré-socráticos têm com os puros espirituais grandes similitudes, partilham também profundas diferenças.

1/ O religioso

A partir da mesma experiência extática, o religioso, convicto de que o divino é intraduzível racionalmente, contenta-se em preconizar a experiência sensitiva e em explicar como alcançá-la (o buda, por exemplo).

2/ O filósofo

O espírito filosófico, pelo contrário, vai tentar penetrar racionalmente os mistérios do ser com o objetivo de convencer o mundo da sua realidade.

História ingénua da filosofia

raphael philosophesO filósofo é um preceptor, o professor da humanidade.

O que há de mais sábio ? O número, e depois dele, aquele que deu nome às coisas. Pitágoras

O poema de Parménides, por exemplo, assemelha-se ainda pela sua forma poética e metafórica aos escritos esotéricos e sagrados (à Kabbalah, à Bíblia ou às Upanishads).

Mas carrega já, certamente de forma embrionária, o desejo de análise e de compreensão. Tem a intenção de demonstrar o indemonstrável. Gostaria de fazer, em suma, a prova matemática e científica do ser para a humanidade. Esta nova qualidade dos pré-socráticos constituirá o soco original da filosofia. Marcará a sua verdadeira distinção da mística. A partir desta rutura primitiva, a filosofia vai empreender uma grande ascensão. Uma ascensão em direção ao coração do ser. Esta busca (digna de Dom Quixote) compreende 2 fases bem distintas : antes de Kant e depois de Kant.

Antes de Kant

Na primeira parte da história da filosofia (de Platão até Kant), os pensadores vão esforçar-se por provar Deus apoiando-se no próprio Deus, colocando-o como ponto de partida. Esta tentativa de justificar Deus por Deus mesmo chama-se ontológica (diz-se também psico-teológica ou cosmológica).

«Deus possui todas as perfeições ; ora a existência é uma perfeição, portanto Deus existe.» Santo Anselmo.

«Os ateus não podem provar que Deus não existe !» «Nada prova que Deus não existe.» «Se Deus não existisse seria imperfeito, ora Deus é perfeito... portanto existe.» (Descartes).

Ao refletir honestamente sobre a criação, e sobre o facto do ser, de forma metafísica, a inteligência é obrigada a reconhecer a existência de um ser superior, o que se chama Deus. Quem fez o homem pensante ? Olhai a criação, ela é tão poderosa. É necessário que tenha um criador.

Eis um pequeno extrato tirado do Proslogion de Santo Anselmo, característico desta tentativa de provar a existência de Deus :

Assim, Senhor, tu que dás a inteligência à fé, concede-me compreender, tanto quanto te parece bem, que és, como cremos, e que és tal como cremos. Ora, cremos que és algo do qual não se pode conceber nada de maior. Será que uma tal natureza não existe, porque o insensato disse no seu coração : Deus não existe (Salmo XIII, 1) ? Mas certamente este mesmo insensato, quando ouve o que digo : algo do qual não se pode conceber nada de maior, compreende o que ouve, e o que compreende está no seu entendimento, mesmo que não compreenda que isso existe. Com efeito, ter uma coisa no pensamento é diferente de compreender que essa coisa existe. O ser e o ente só encontram o seu sentido um com o outro.

St. Anselmo, Proslogion

A partir de Kant

Na 2.ª parte da sua história (a partir de Kant), a filosofia vai mudar de método. Ambicionará explicar Deus «em negativo», por assim dizer, invertendo o ponto de partida da sua reflexão. O filósofo esforçar-se-á então por iluminar o conjunto do mundo fenomenal. O objetivo sendo separar o irracional do racional, o incognoscível do cognoscível. Os pensadores vão então limitar as suas investigações ao «ente», à realidade material, ao fenómeno. Entramos então, como o nome indica, na era da fenomenologia.

Tomadas independentemente, nenhuma das duas formas é satisfatória.

A prova ontológica

A prova ontológica é notavelmente subtil e mostra toda a inteligência dos filósofos que a utilizaram. Mas edifica-se sobre uma noção gasosa (Deus) a partir da qual é impossível construir algo sólido.

A prova fenomenológica

A prova fenomenológica pensa assentar as suas deduções sobre um mundo sólido. Um mundo real e seguro : o mundo material. Mas a física contemporânea demonstra pelo contrário que a realidade da matéria é instável e ilusória. Para a maior parte dos físicos atuais, reduz-se a uma simples demonstração matemática. Já não tem nada de tangível. A matéria é assim incapaz de iluminar a verdade sob a sua forma absoluta. Incapaz de se provar a si mesma.

Escrito entre 1999 e 2001



dualismo/monismo



Gorgias, Philosophe grec de tradition sophiste immortalisée par Platon

Górgias, sofista grego, nascido em Leontinos na Sicília por volta do ano 485 a.C., viveu, diz-se, 107 anos. Enviado pelos Leontinos a Atenas para pedir auxílio, foi tão admirado pelos atenienses pela sua eloquência que foi retido para dar lições de retórica. Não menos notável como filósofo, escreveu um livro sobre a natureza. Dicionário biográfico

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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