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Dualismo e monismo — tudo está num Todo
Mécanique Universelle — versão portuguesa

Dualismo e monismo

Tudo está num Todo

Cheri Samba artiste peintre africainDo sentido do mundo

Há no homem um dualismo ontológico (sensibilidade-espírito), há sobretudo um dualismo moral (conflito entre o real e o ideal, o egoísmo e o amor). G. Thibon

Dualismo : doutrina que admite, no domínio considerado, dois elementos irredutíveis e independentes. Dualismo cartesiano do corpo e da alma. Dualismo maniqueísta do bem e do mal.

Monismo : doutrina que admite um único princípio constitutivo onde outras doutrinas admitem dois (dualismo) ou vários (pluralismo).

Górgias diz : Não há ser ! mesmo que existisse um, não seria cognoscível ! existindo e sendo cognoscível, o conhecimento dele não seria contudo comunicável ! Nós dizemos : há ser ! É cognoscível (sensitivamente), mas não comunicável !

Cada ser humano, parece-me, tem a intuição de que o mundo tem um sentido. A intuição difere do ponto de vista que, ele, pode afirmar que o mundo não tem sentido.

Se esta intuição fosse suficiente, bastaria para nos tranquilizar. Mas não é o caso. Nem a intuição nem os conhecimentos acumulados nos ofereceram, até hoje, o apaziguamento esperado. A ciência com efeito não se interessa pela questão do sentido da humanidade. No entanto não estamos desamparados. A religião e a filosofia propõem um itinerário e uma finalidade. Mas o nosso mundo tornou-se muito cartesiano. Já não se contenta com metáforas e incertezas. O homem contemporâneo prefere portanto finalmente ignorar a questão do sentido.

Filosofia e religião dão sentido

Por detrás das aparências fornecidas por este mundo mutável, escondem-se princípios imutáveis. A experiência quotidiana conduz a opor permanentemente as coisas entre si, as coisas a si mesmo, si mesmo e os outros, si mesmo e o mundo... Na realidade, estas oposições duais são complementaridades. O bem e o mal, por exemplo, servem um projeto comum : a evolução em direção ao bem da humanidade.

As reflexões filosóficas, como as experiências místicas, mostram a via desta evolução superior. Comprometem-nos a conceber o divino como uma harmonia perfeita. Como um Todo englobante e maravilhoso cuja essência contém o conjunto da criação. O conjunto do que o espírito pode imaginar de absoluto, de amor e de beleza. A própria ciência contemporânea confirma progressivamente a pertinência das intuições místicas. A física com efeito tece pouco a pouco ligações entre o imaterial e a matéria. Entre o intemporal e a temporalidade. Entre a energia intangível e a massa. Se esta ciência ainda não conseguiu definir a natureza íntima da matéria (isso parece difícil e não é o seu papel), procura contudo descobrir a sua chave e a sua unidade. Reunir sob uma única fórmula as diversas forças que regem e constituem o mundo.

O tempo do espírito

O ser e o ente

new-GorgiasDeus e o seu homem

A estrada que sobe e a que desce é uma e a mesma. Heráclito

Chegados a este ponto da nossa reflexão, encontramo-nos perante uma espécie de dualismo aparente :

  • Temos de um lado o ser, que assimilamos ao princípio imaterial na origem de toda a coisa,
  • e do outro o ente, ou seja a forma material das coisas, o mundo tal como nos aparece.

Uma primeira vaga de questões vem então humidecer-nos o rosto. O ente pode estar fora do ser ? Por outras palavras, o homem pode estar fora de Deus ? Deus pode ser exterior à sua criação (como afirmam certas digressões religiosas) ?

A posição da nossa filosofia é a seguinte :

Se se entende por «exterior» uma posição geográfica, espacial ou temporal, então, pensamos que é impossível. Se o ser ou Deus fosse independente da sua criação, não seria «absoluto» mas limitado por ela. Segundo nós, o ser é ao mesmo tempo «exterior» e «interior» às suas criaturas. Sob uma certa forma engloba a sua criação e sob outra, dela se distingue (à imagem das partículas elementares capazes de ser ondas ou corpúsculos).

Dizemos portanto :

Há ser
Há ente

  • O ser preexiste ao ente, mas é «vazio» sem ele. Por outras palavras, Deus «é» antes da criação, mas precisa da criação para «existir».
  • O ser preexiste portanto à existência, mas a sua preexistência não é uma existência.
  • O ser «existe» mas não no sentido em que o entendemos (nascer, crescer, morrer, ser incluído no espaço-tempo). O ser existe porque é.
  • O ser é (sou aquele que é, diz a Bíblia). Sob a sua forma original e anterior, o ser «é» a «matéria imaterial» a partir da qual se constitui a matéria material.

Propomos aqui, de certa forma, um sistema que reúne dualismo e monismo. Um sistema capaz de misturar dois conceitos dissidentes para definir uma única e mesma coisa.

O ser e o ente só encontram o seu sentido um com o outro. O ser sem o ente estaria imerso no nada. O ente sem o ser banha no absurdo. O divino é constituído pela totalidade do ser e do ente. E é ao conseguir a fusão do ente no ser — ou mais precisamente ao tornar-se a emanação pura do ser — que o homem consegue encarnar o divino. Por outras palavras, para se tornar «ser», o homem (que começa por ser «ente») deve abandonar todas as suas estruturas psíquicas relativas ao ente (pulsões, desejos, remorsos, poderes, instintos...).

Esta proeza concretiza-se no espírito. Gera um novo estado de consciência que se chama o despertar, a beatitude, o nirvana, o êxtase...

ano 2001



hierarquia



Plotin, philosophe platonicien

O Uno não é portanto nenhum dos seres e é anterior a todos os seres. — O que é então ? — É a potência de tudo ; se não for, nada existe, nem os seres, nem a inteligência, nem a vida primeira, nem nenhuma outra. Está acima da vida e é causa da vida. Imaginai uma fonte que não tem origem. Plotino

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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Rencontres Philosophiques et Spirituelles de Montfaucon en Velay — juillet-août 2026