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Qualia e quale — a vida do espírito
Mécanique Universelle — versão portuguesa

Qualia quale

A vida do espírito,

Georges de Latour, Peintre Français, vanitéDo ordinário ao êxtase

Por vezes, os autodidatas nutrem uma espécie de complexo face aos universitários. Gostariam de possuir os seus conhecimentos e as suas grandes habilidades de escrita. Para compensar, acontece-lhes estender o seu pobre conhecimento pelas tartines que propõem a fim de fazer ilusão. É sem dúvida o caso deste capítulo, tratado sem conhecimentos e de forma totalmente intuitiva. Ficaram avisados !

O filósofo americano Daniel Clément Dennett é um dos grandes especialistas das filosofias do espírito e das ciências. Utiliza dois termos para distinguir as sensações sentidas nas experiências percetíveis e corporais. Fala de QUALIA no plural e de QUALE no singular.

Não conheço a filosofia de Dennett. Permitir-me-ei apenas retomar a sua terminologia. A partir dos termos de quale e qualia, tentarei esclarecer a minha conceção da consciência e precisar as razões pelas quais separo os estados conscientes em duas grandes categorias. De um lado os modos comuns (a vida quotidiana), e do outro o estado relativo ao êxtase. De um lado a consciência do homem ordinário e do outro a consciência do extático (distingo igualmente as sensações humanas através destas 2 categorias).

As sensações da existência

Do comum ao extático.

Antoine TonizzoSensações ordinárias ou extraordinárias

Eis antes de mais uma pequena definição do Quale e dos Qualia como se pode encontrar na internet.

Os qualia

Os qualia são propriedades da experiência sensível pelas quais há algo que é perceber isto ou aquilo. Só podem portanto ser conhecidos por uma intuição direta. É impossível transmiti-los fisicamente a alguém.

Quando se está apaixonado, por exemplo, as diferentes sensações sentidas são individuais. Se as podemos explicar aos outros, ninguém as pode sentir no nosso lugar e como as sentimos. A nossa vida quotidiana está constelada de experiências sensíveis que produzem efeitos subjetivos. Estas sensações sentidas estão associadas de maneira íntima aos estados mentais (as paixões, as emoções).

O quale

O quale é um destes estados sensíveis. São os estados de alegria, os estados de pena, por exemplo. A vida ordinária pode ser descrita como uma sucessão de quale diferentes*. Uma sucessão de quale de diferentes «cores», formando uma espécie de conjunto pessoal : o nosso caráter.

*quale ligado ao sofrimento, ao orgulho, à amizade, ao amor, à satisfação, ao orgulho, ao remorso, à melancolia, etc.

O conjunto dos diversos quale do nosso quotidiano forma uma espécie de ambiente geral (hoje, estava feliz). É a nossa paisagem mental ordinária. Ontem, estava apaixonado, e o conjunto dos diversos quale que constituíam esse dia estavam orientados nesse sentido.

O quale em si mesmo (segundo o nosso ponto de vista) é uma sensação invariável. Um estado contínuo e permanente. Se fôssemos submetidos permanentemente ao quale da fome, a nossa vida decorrer-se-ia sob esta única sensação corporal.

As 2 grandes sensações

Sensações ordinárias ou extáticas

le yin et le yang, oeuvre de tonizzoO sentimento de existir

A consciência «ordinária» seria portanto atravessada permanentemente de quale pessoais. Quale diferentes e variáveis em quantidade e em qualidade. O conjunto dos quale formaria então os nossos momentos normais de existência. Com o sentimento de temporalidade.

A consciência extática, ela, banharia numa espécie de quale ao singular. Ou mais precisamente, o conjunto dos quale estaria imerso num único quale — o do êxtase. Esta unicidade de sentimento proporcionaria esta sensação de permanência que se tem no êxtase. Este sentimento intemporal de plenitude, de amor e de felicidade absoluta.

Os qualia da vida corrente como o quale do êxtase pertencem ao indivíduo. Só se podem apreender pela experiência direta e pessoal. Por outras palavras, um sábio pode descrever as sensações do êxtase, do nirvana, mas ninguém poderá sentir o que ele sente sem o experimentar. Qualia e quale são sentidos diretamente pela consciência.

Quale ordinário e quale do êxtase

Toda a gente ou quase pode imaginar experiências sensíveis correntes. A maioria humana pode (mais ou menos bem) reunir-se em torno dos quale ordinários (em torno dos quale de prazer, de pena, de remorso, de sucesso, de sede, de fome).

Com a ajuda da empatia, a maior parte dos homens consegue colocar-se no lugar de alguém que prende o dedo numa porta ou que cai perdidamente apaixonado. A experiência do quale do êxtase, pela sua raridade, o seu caráter absoluto, engendra evidentemente muito ceticismo. Não se pode facilmente imaginá-la (mas não é porque é difícil conceber as sensações da imponderabilidade, por exemplo, que estas sensações não existem).

A particularidade do quale do êxtase

O quale ordinário (a sensação de calor e de frio, por exemplo) pode diferir entre indivíduos (porque depende inteiramente da personalidade). O quale do êxtase, pelo contrário, é idêntico para cada um. Pela sua qualidade de absoluto é o único capaz de ser percebido de forma idêntica por cada experimentador. O êxtase apaga o ego e todas as outras sensações para se tornar uma sensação única e orgânica.

O quale do êxtase seria portanto o quale unificador por excelência. Cada experimentador sabendo o que sentem todos os outros extáticos.

Ano 2001

o sujeito



Gustave Thibon, philosophe Français, et ardéchois

O espírito filosófico consiste em preferir às mentiras que fazem viver as verdades que fazem morrer. Gustave Thibon

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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