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Da forma ao fundo — a consciência do outro
Mécanique Universelle — versão portuguesa

Da forma ao fundo

A consciência do outro

van gogh, portrait de joseph RoullinDo espiritual.

O que é um ser humano ? O outro ? Em que se distingue de uma coisa ou de um animal ?

Muitas vezes, o homem considera o outro como um meio, um instrumento. Este tipo de comportamento é bastante banal e na maior parte dos casos é para o bem recíproco (escolho tal pessoa como amigo pois isso me proporciona prazer, mas como aceita, isso faz-lhe bem a ele também). Mas por vezes, esta instrumentalização serve-nos para outros fins. Pela astúcia ou pela força, utiliza o outro para um prazer egoísta, um desejo de dominação. Há muito tempo a humanidade trabalha para romper com este instinto. Pede ao indivíduo que eleve o nosso olhar da forma para o fundo. Que considere o seu congénere como um fim.

«Trata sempre o outro como um fim e nunca apenas como um meio.» Emmanuel Kant (1724-1804)

Durante milénios, todas as espiritualidades trabalharam neste sentido. Ao elevar o homem ao nível de «alma pertencente ao divino», sacralizaram-no, engrandeceram-no.

Do laico.

Há alguns séculos, a sociedade passa do religioso ao laico, da moral espiritual à lei profana. O código civil tomou o relevo do espiritual para continuar a proteger o indivíduo. É a legislação agora que proíbe matar, roubar ou maltratar os seus semelhantes.

Na terra de ninguém

Esta transmissão de poderes comporta muitas vantagens mas também alguns inconvenientes. Ao reduzir o religioso como pele de onagro, o indivíduo perde progressivamente o seu caráter sagrado. A lei certamente, ao ameaçar-nos com a sua justiça e a sua prisão, proíbe-nos de abusar do outro — mas sem pôr em evidência o mal que se engendra. O laico favorece o desenvolvimento da individualidade mas o espiritual favorece o da empatia. Para o religioso, o «outro» é essencial (teoricamente). Para o laico liberal, o essencial sou eu. A diferença é considerável.

A importância da empatia

Com efeito, se a minha empatia estiver ausente e se além disso não temer a justiça, ou se puder instrumentalizá-la, nada me impede de maltratar o outro.

Por outras palavras, enquanto a justiça não gerir perfeitamente o homem, a educação moral deveria acompanhá-la. Eis porque me parece essencial permitir ao religioso iluminar a natureza espiritual do ser vivo, a origem divina da nossa energia vital. E para isso devemos descascar as ilusões das nossas aparências mutáveis. Só nestas condições podemos fazer do outro um fim e não um meio.

Da pessoa

A personalidade faz o homem ?

hommePara além dos termos empregados para se qualificar (grande, pequeno, inteligente, suave, duro, chefe, subordinado) — quem somos nós ?

Um montão de ossos e de carne originada do nada e destinada a lá regressar para sempre ? Uma personalidade que se enriquece a fogo lento para acabar aniquilada nos esquecimentos do nada ? Uma massa física, uma posição social, com as quais navegamos na existência ?

O ser humano, a meu ver, não se resume às descrições utilizadas para o definir. A aparência, a notoriedade, a pertença a tal ou tal grupo são dados superficiais e mutáveis. É o revestimento social de um ser constituído de átomos ligados ao universal divino. São normas culturais utilizadas pelo homem para elaborar a humanidade. As qualidades como a beleza, o poder, a inteligência não são fins em si mesmas. É por isso que podemos utilizar estas qualidades para instrumentalizar o outro.

Um fundo espiritual

Se o universo porta em si este meio de expressão que chamamos Amor, é porque existe um divino. O ser humano representa portanto antes de tudo uma profundidade espiritual. Está inteiramente ligado ao princípio criador do qual depende fundamentalmente. O homem está ligado a todas as coisas do universo por uma identidade fundamental : as partículas.

Pelo átomo e pelo quark, somos absolutamente similares a cada coisa deste mundo. Somos um composto do universo. A excrescência de uma criação maravilhosa e empírica, capaz de engendrar um mundo espiritual e cuja primeira intenção se situa antes do universo. Graças à nossa aptidão para espiritualizar, somos outra coisa além de uma simples estrutura de carne. Outra coisa além de um simples conjunto de órgãos e átomos (o que é válido para todas as coisas mas a diferentes níveis).

O fundo superior à forma

Filosofia do ser humano

Didier Trenet bouteille coeurComo todas as coisas, o corpo do homem é antes de mais composto de átomos. Através desta estrutura, liga-se ao divino e unifica-se ao conjunto da criação.

A ossatura corpuscular do mundo (quarks, cordas) é a natureza íntima do universo. Esta natureza imaterial preexistia antes do universo.

1/ O ser humano pertence portanto antes de tudo a uma coisa extraordinária e anterior ao universo. Por outras palavras, o ser humano pertence a um princípio criador. Todo o ser vivo é portanto antes de tudo um elemento desta coisa extraordinária que criou o universo. Esta coisa, as espiritualidades chamam-lhe Deus ou divino.

2/ A outro nível, o ser humano pertence à grande aventura do vivente. A esta escala, o homem distingue-se da matéria inerte. Faz parte do vivente. Com ele, participa em a subida progressiva para um espírito superior.

3/ E finalmente, o homem pertence à espécie humana, com todas as suas novidades. Entre estas inovações, encontra-se a nossa formidável progressão. E no interior desta progressão, a «evolução progressiva para um espírito superior». Por outras palavras, a subida progressiva da humanidade para a sua última perfeição (o êxtase, a santidade, a sabedoria)...

ano 2001

os fins e os meios



saikaku

De que nos serviria a sorte de termos nascido humanos se não tivéssemos os meios de viver como seres humanos. Saikaku Ihara

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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Rencontres Philosophiques et Spirituelles de Montfaucon en Velay — juillet-août 2026