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O niilismo para a evolução
Mécanique Universelle — versão portuguesa

O niilismo para a evolução

O niilismo, lado positivo

La bataille de san Romano par Paolo Ucello, Consciência moral e religião

Rejeitemos a via da violência, que é o produto do niilismo e do desespero. Kofi Annan

Niilismo — do latim nihil «nada» : ponto de vista filosófico para o qual a criação e principalmente a existência do homem está desprovida de todo o significado, objetivo, verdade compreensível ou valor.

Muitas vezes (sempre, na realidade) ao longo da história, as grandes vagas niilistas fecundaram a humanidade. As suas forças revolucionárias permitiram à nossa espécie abandonar certos tabus e constrangimentos ultrapassados. Foram um fator de progresso social e técnico. A sua energia criadora ajudou certas sociedades a derrubar poderes político-religiosos esclerosados... Entre dois homens que não têm a experiência de Deus, aquele que O nega está talvez mais próximo dEle, escreve com razão Simone Weil (e a meu ver «a experiência de Deus» é a frase determinante desta sentença).

O niilismo libertou o prazer

O espírito niilista permitiu igualmente ao prazer humano passar por cima de certos embargos teológicos (como os que preconizavam por exemplo a frustração, o ascetismo e o êxtase como recompensa à ação).
A filosofia niilista neste sentido reconciliou o homem com o prazer. Um prazer muito mais lógico para remunerar a atividade construtora do que o rigorismo.

Evidentemente, como todo o sistema humano, o niilismo é igualmente responsável por numerosas aberrações. Separar-se da salvaguarda espiritual não é sem consequências. Autoriza uma quantidade de violência que a pressão religiosa anteriormente continha (e nas fileiras destas violências, o monstruoso retrocesso do século passado).

O niilismo, lado negativo

Durante milénios com efeito, o medo de ser julgado no além limitou a crueldade (sem a aniquilar evidentemente). O medo de transgredir a moral e as leis religiosas evitou um grande número de passagens ao ato. O niilismo aboliu este medo. A expansão das leis, da repressão, deveria compensar a perda destes freios religiosos. Mas seria necessário para isso dispor de um sistema jurídico ideal. De uma justiça e de uma polícia justa, eficaz e benevolente. Deveríamos beneficiar de um sistema educativo perfeito. Um sistema apto a fazer-nos preferir a vida dentro dos limites da legalidade, em vez de fora deles. Mas ainda não é o caso.

Sem justiça, a lei laica é inferior à moral religiosa

Por agora, a lei laica é menos eficaz do que a moral religiosa nas nossas sociedades ainda injustas (injustas do ponto de vista social e educativo).

Com efeito, se o homem já não teme ser julgado no além, se também não teme ser julgado na terra (porque se situa acima das leis, por exemplo), se a sua consciência do outro é estreita, se a sua moral é deficiente e as suas pulsões todo-poderosas, pode então tornar-se um verdadeiro monstro para a humanidade.

Dois grandes atratores de niilistas : o nazismo e o comunismo

Foi o caso dos criminosos que supervisionaram as duas grandes correntes niilistas do século passado : o nazismo e o comunismo. Se ambos têm uma quantidade de crimes na consciência, as suas ideologias não devem ser confundidas como quereria fazer-nos crer o ultraliberalismo atual. A ideologia comunista (demasiado de vanguarda) não tem nada a ver com a ideologia nazi (retorno ao passado) — e veremos isso num próximo capítulo.

O neoliberalismo e o niilismo

A implicação do niilismo na negação do outro é evidente. É o caso de todas as ditaduras passadas e presentes. E é infelizmente também o caso (de forma bem mais suave evidentemente) do liberalismo atual. Este novo capitalismo, a meu ver, está muito próximo da oligarquia (portanto muito longe da democracia). Submetido à influência do mercado, desconectou-se do espiritual* portanto do homem.

* o espiritual exige com efeito um certo respeito pela vida e pelo ser humano.

O homem assim cortado da sua base cultural humana pode afundar na maior bestialidade. Ao final, a história parece pavimentada de infernos engendrados pelo niilismo. Sejam laicos ou religiosos.

Texto escrito em 2001



do religioso ao laico



Fiodor Dostoïevski, Photographie

Quando não se sabe para que porto navegar, nenhum vento é favorável. Fiodor Dostoiévski : Os Demónios

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Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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