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Os remédios ultraliberais
Mécanique Universelle — versão portuguesa

Os remédios ultraliberais

Endurecer o sensível

Affiche du film le bagnard avec Lily Bontemps Pierre GayO Ocidente face à sensibilidade

É preciso muita ingenuidade para fazer grandes coisas. René Crevel

O nazismo queria suprimir a parte sensível, emocional, artística, original, enigmática, revolucionária da sua nação (é por isso que quis fazer desaparecer a sua comunidade judaica e cigana, os seus homossexuais, os seus comunistas, os seus artistas, os seus deficientes).

Os povos tradicionais e fortemente espiritualizados (que este regime ditatorial desprezava) veneravam pelo contrário os seus xamãs, os seus artistas, os seus simples de espírito, os seus diferentes. Em suma, respeitavam a sua parte de sensibilidade.

A aventura nazi deve servir de lição. Um regime que exclui, maltrata ou pior, elimina a sua parte sensível, está condenado ao desaparecimento.

Por certos lados (mas sem comparação), o liberalismo atual comporta-se mal hoje para com os seus frágeis, os seus sensíveis. Os seus valores endurecem a sociedade. Idolatram os competidores e abandonam os «inadaptados». Para esta ideologia, o fraco deve aprender a defender-se do forte — deve ensinar-se à parte pacífica e ingénua da população como sobreviver num mundo de selvagens.

Em vez de moralizar o mercado, os media propõem programas para endurecer a parte doce e cândida da população. No entanto, a lógica da nossa evolução para o melhor quereria pelo contrário que se educasse os primeiros para que aprendessem a não mais abusar da população vulnerável. É a única forma de permitir à humanidade tender para sempre mais humanidade. Para evoluir para uma sociedade cada vez mais humana, tratar-se-ia de trabalhar sobre o dominante (como aliás a democracia o sugere) e não de elevar a humanidade ao estado de espírito agressivo e regressivo dos dominantes.

Não se trata de ensinar ao homem como sobreviver num mundo de selvagens, mas de tornar mais humanos os «selvagens» da humanidade.

O abuso do outro como guia

O sofrimento do povo..

Quanto mais a população frágil sofre, mais o mundo está nas mãos dos dominantes... Eis o barómetro do nosso nível de inteligência calorosa.

O grau de sofrimento da população vulnerável pode servir de escala de evolução. Pode permitir saber que distância colocámos entre o humano e a ordem selvagem. Na natureza, os animais frágeis, os fracos e os pequenos são as presas designadas dos predadores (este princípio é aliás um dos argumentos utilizados pela perversão narcísica e pelo racismo para justificar os seus arcaísmos). O princípio democrático inverte este estado de coisas. Atribui a soberania ao povo, por essência mais frágil.

Hoje, sob o reinado do liberalismo e do mercado, o povo serve de presa e de utensílio aos dominantes. Prova assim que se tornou um sistema fundamentalmente antidemocrático.

  • O mercado em perpétua expansão deve enriquecer-se permanentemente. É portanto constrangido a comer na parte que cabe ao povo, arrastando-o progressivamente para a sua pauperização.
  • Para manter este sistema viável, o liberalismo utiliza igualmente e pontualmente a destruição pela guerra. Devastar e reconstruir tal parece ser a sua divisa. Os povos ainda uma vez pagam inteiramente e pelas suas sofrimentos, a fatura.

Neste tipo de evolução violenta e inconsciente imposta pelo liberalismo, a população sensível é simplesmente assassinada ou empurrada para o suicídio.

  • Nos países pobres mergulhados pelo mercado no caos, a população vulnerável está à mercê dos militares, dos para-militares, dos chefes de guerra, dos chefes de clãs, das máfias — em suma, à mercê dos dominantes de toda a espécie armados pelo Ocidente.
  • No Ocidente, os hipersensíveis, os emotivos, os artistas, para suportar a agressividade crescente deste sistema compulsivo, são constrangidos à toxicodependência, à depressão, ao encarceramento, ao alcoolismo, às alienações ou ao suicídio. Os outros são explorados pela prostituição e a escravatura.

Os estados são cada vez menos capazes de proteger a população sensível dos predadores. Podemos interpretar isso como um retorno da espécie humana às leis da natureza.

A solução

Restaurar o estado de direito

 prince charmant et princesseCompreender o sentido da humanidade.

Se o homem justamente abandonou o mundo animal, é antes de mais para substituir as leis injustas da natureza pelas justas leis da cultura.

Estas leis devem permitir-nos compreender o sentido da humanidade. Um sentido que nos torna seres cada vez mais humanos. Devemos portanto obedecer a esta evolução para sempre mais humanidade.

  • Um poder humano e evoluído protege prioritariamente a sua população vulnerável e frágil.
  • Um poder primitivo venera os seus dominantes e negligencia a sua população frágil.

A capacidade de proteger o vulnerável dos seus predadores diferencia o nosso psiquismo do do animal. Não é uma qualidade menor. Não esqueçamos que é graças a esta população sensível (os xamãs, os profetas, os artistas...) que a humanidade desenvolveu a sua consciência, a sua humanidade e o seu contacto com o divino.

Entre os leões, um terço dos leõezinhos são mortos pelos seus próprios dominantes para assentar a sua dominação e acasalarem-se com as fêmeas. Que dizer então da guerra, da violência, dos assassinatos por pessoas interpostas gerados pelos nossos próprios dominantes ? Não são eles, pela força das suas pulsões, os assassinos dos seus próprios filhos ? Não são responsáveis pela morte de uma quantidade enorme dos seus congéneres ?

Estamos bem longe do comportamento das baleias, dos golfinhos, dos elefantes. Mamíferos superiores desprovidos de violência para com os indivíduos da sua espécie.

A lei por si só não pode portanto resolver o problema da negação do outro. É uma questão de mudança de valores e de abertura de consciência. Para isso, será necessário fazer passar a moral universal, os valores humanos e o amor ao outro, antes da lei do mercado.

Texto datando do início dos anos 2000


moral

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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