Deus e o homemA existência só é possível fundada na compreensão do ser. Heidegger
Górgias diz :
Não há SER ! Mesmo que existisse um, não seria cognoscível ! Existindo e sendo cognoscível, o conhecimento dele não seria contudo comunicável !
Nós dizemos : há SER ! Ele é cognoscível (sensitivamente), mas não totalmente comunicável.
Se quiséssemos extrair deste site as algumas pesquisas maiores que aqui se encontram, a questão do ser estaria verossimilmente nesse lote.
Entendo por ser o princípio criador de que fala a Bíblia. Esse princípio do qual se diz que é : «aquele que é» — por outras palavras, Deus.
O desejo de resolver a questão de Deus é inerente à natureza humana. Segue a expansão da consciência. Inscreve-se numa longa tradição espiritual, filosófica e agora física (ciência física). Esta sede ocupa o pensamento humano desde que ele tem a força de querer provar o improvável. De querer compreender e iluminar «o mistério que se dispensa ocultando-se», como diz Heidegger. Esta busca é congénita, utópica e «patética». Patética, porque parece ser ao mesmo tempo insolúvel e inesquecível. Não se pode nem resolvê-la nem largá-la. Ela «chama» sempre e em todo o tempo pensadores a quererem explicá-la.
Não ouvistes falar daquele homem insensato que, tendo acendido uma lanterna em pleno meio-dia, corria na praça do mercado e gritava incessantemente : «Procuro Deus ! Procuro Deus !» (Friedrich Nietzsche, O Gai Saber).
As grandes espiritualidades avisaram-nos desde o início : Deus é inacessível ao entendimento. Revela-se unicamente à experiência sensível*. «Não procures mais alto do que tu», diz o Eclesiastes. «Do brahman original nada se pode dizer», escreve o hinduísmo. O ser não é uma coisa, não está no tempo, sustenta Heidegger.
* a experiência sensível — ou seja, o êxtase, o nirvana, a beatitude.Esta advertência não nos impede de querer resolver o enigma. Submetidos a uma atração irreprimível, os filósofos, os cientistas, os teólogos estão na corrida. Embarcados nas «estradas famosas da divindade», querem oferecer a prova à humanidade.
A promessa sedutora do Eclesiastes — «aqueles que me colocarem em luz terão a vida eterna» — teria algo a ver com isso ? Não o penso ! A motivação é antes de mais procurar do lado da nossa interdependência e da nossa necessidade de agir pelo bem da humanidade — ou do lado da impossibilidade que tem o homem de deixar questões sem resposta. Eis sem dúvida a origem da nossa heroica tenacidade.
A formidável necessidade de resolver os nossos mistérios conduziu a nossa espécie onde ela se encontra. Este mecanismo, evidentemente, continuará depois de nós. Continuará até depositar a humanidade às portas da sua perfeição*.
* o ponto «ómega» de Teilhard de Chardin.Uma perfeição da qual é fácil compreender que terá resolvido todos os seus questionamentos, incluindo os que dizem respeito ao ser.
À busca da pedra filosofalA questão de Deus* está portanto no centro do pensamento humano. É a este solucionamento conceptual que a filosofia trabalha desde os seus começos.
* Ou mais amplamente, do princípio criador.De Platão a Aristóteles, de Plotino a Santo Agostinho, de Al-Fârâbî a Averróis, de São Tomás a Descartes, de Espinosa a Kant, de Hegel a Husserl e Heidegger — o pensamento está em ação. Diretamente (Santo Agostinho) ou indiretamente (Kant), dirige as luzes da razão para o espaço onde pensa descobrir a prova do ser.
Deus, por seu lado, fiel ao seu princípio de ininteligibilidade, proíbe ainda a sua morada às nossas explicações pragmáticas.
Busca insolúvel — e vital.
Mas face ao mundo, o heroísmo humano, como tão bem compreendeu a mitologia grega, é sem limite. Graças a ele, o nosso ponto de vista sobre o divino não cessou de se afinar ao longo dos tempos. As profundas e longas reflexões metafísicas já deram os seus frutos. Os filósofos e os cientistas libertam progressivamente Deus dos trajes aterrorizantes com que o antropomorfismo o havia vestido. Trazem pouco a pouco o divino para as suas qualidades originais — qualidades imateriais, intemporais, tendendo a reencontrar a ideia de amor absoluto.
Na grande aventura do pensamento humano, a filosofia desempenha um papel maior. Contribui, desde as suas origens, para o desenvolvimento das nossas capacidades científicas e analíticas. Mantém igualmente um elo extensível mas sólido entre a ciência e a mística. A fulgurante inteligência dos filósofos, apaixonados pelo ser e pela razão, insuflou um desejo de verdade no pensamento primário e materialista. Pensadores revolucionários como Platão, Espinosa, Kant ou Hegel evitaram às religiões bastante esclerose. Conseguiram constantemente adaptar o conceito do divino aos progressos do pragmatismo e do materialismo. Souberam sempre fazer coexistir a ideia de Deus com as descobertas científicas do momento. Ajudaram a transcendência a despistar todas as tentativas de assassinato* — permitindo assim a Deus renascer, como uma Fénix, das suas cinzas.
* dos sofistas até Nietzsche.Este site não derroga a esta grande lei patética. Visa ele também, bem desajeitadamente, demonstrar o indemonstrável. Tentou provar o improvável — ou seja, a veracidade do Divino.
É portanto o ser que se perfila nas fissuras deste trabalho. O ser enquanto abismo (Heidegger). O ser sem causa, nem começo nem fim (Parménides). O Uno do qual nada se pode afirmar (Plotino). O Brahman original que é antes do ser e do não-ser e do qual nada se pode dizer.
Boa coragem !
Ano 2001

O filósofo é o especialista dos generalistas. Auguste Comte
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement