O homem modela-seConsidero todas as formas metafísicas do pensamento como a consequência de uma insatisfação no homem de um instinto que o atrai para um futuro mais elevado, supra-humano — com esta particularidade que os homens quiseram fugir de si mesmos no além em vez de trabalhar na construção deste futuro. Nietzsche
O niilismo como o entendia Nietzsche e o seu super-homem (Der Übermensch) seria viável num mundo fortemente regulamentado e educado. Não é o caso hoje. É por isso que certas condutas niilistas colocam um problema à sociedade. Ao ocultar a dimensão divina do ser, permite ao homem considerar o seu próximo como um objeto.
Uma espécie de instinto do bem para a violência animal aos primeiros sinais de submissão do dominado. Este instinto desapareceu da humanidade. Foi substituído, numa primeira fase, pelos tabus, depois pela moral religiosa. Hoje, os tabus e a moral estão em vias de ser substituídos pela educação e pela justiça.
O problema atual vem do facto de estarmos na passagem do religioso para o laico, da moral para a lei. O mais eficaz nesta passagem seria uma sobreposição cooperativa entre o religioso e o laico para que não haja rutura. Não é o caso nas sociedades industrializadas. A moral encontrou-se expulsa pelo laico sem que este compensasse a sua perda. Nem a lei nem a educação são ainda aptas a substituir os tabus e a moral. Os sistemas jurídico e educativo são incapazes de conter corretamente as pulsões humanas. Daí a quantidade considerável de transgressões e de encarceramento no Ocidente.
Estamos numa espécie de terra de ninguém. Estas décadas de início de laicidade navegam entre, de um lado as morais religiosas (relegadas ao esquecimento pela sociedade) e do outro, a educação e a justiça, incapazes de impedir o homem de abusar dos seus congéneres.
A humanidade está docemente a passar da moral religiosa para a justiça laica. Não é uma desespiritualização — pelo contrário. A justiça conduz igualmente progressivamente a humanidade à perfeição espiritual. Com efeito, quando o homem tiver adquirido a capacidade de obedecer absolutamente ao conjunto das leis laicas editadas, não poderá fazer de outro modo que ser todo amor pelo outro.
ano 2001
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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