Negar ou abusar do outro é uma questão de pulsões.
O abusador não tem verdadeiramente a escolha de agir de outra forma. É vítima das suas pulsões abusadoras (desejo de poder, de dominação, de acumulação de privilégios...). Se tivesse os meios de evitar maltratar os seus congéneres, todo o transgressor o faria.
Na maior parte das vezes, as circunstâncias da vida, as carências educativas, os maus-tratos sofridos na infância, estão na origem dos atos de negação do outro. Estas carências «educativas» impedem a nossa consciência profunda e universal de florescer. Transformam o outro em objeto utilizado para atingir os nossos fins.
Na origem de toda a ação, no entanto, encontra-se o AMOR ABSOLUTO. É ele, criador do universo, que ativa cada um dos nossos atos, mesmo os mais bárbaros.
Entre esta energia original AMOR ABSOLUTO e a finalidade da ação, interpõem-se as nossas zonas cerebrais pulsionais. São elas que travestem este impulso de amor inicial, que o vestem de negação, de racismo, de predação ou de crueldade.
No fim de contas, todo o ato contrário à humanidade é um pedido ou uma oferta de amor que não sabe exprimir-se.
Esta «inadequação» entre o impulso AMOR e a ação final é uma necessidade para a humanidade. É por esta luta entre o que chamamos «o bem e o mal» que a nossa espécie se elabora. (É a «astúcia da razão» de que fala Hegel). Ao perseguir o seu próprio interesse, os homens constroem a unidade da humanidade.
Mesmo que o «amor» dado ou esperado pelo viés destes atos condenáveis esteja bem longe do amor absoluto do início ou do beato, é o seu filho direto.
ano 2000
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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