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O louco na sociedade contemporânea
Mécanique Universelle — versão portuguesa

O louco na sociedade contemporânea

Valores ultraliberais e loucura

A verdadeira deficiência é a do coração

Entre a vida de um simples de espírito animado pelo amor, e a de um PDG animado pelo dinheiro, onde está a loucura ? Jean-Marc Tonizzo

A consciência de uma parte do mundo médico parece-me hoje prisioneira das contingências da rentabilidade, do taylorismo e dos valores do mercado (o dinheiro, o lucro, o elitismo, a utilidade, a estética do corpo).

As obsessões da sociedade de consumo invadem agora o estado de espírito destas corporações médicas que a tradição dirigia antes para a ética, o altruísmo, a igualdade, etc. Aturdida pela ofensividade ultra liberal, a medicina traz de volta normas «aristocráticas» ao gosto do dia, ao passo que os tempos precedentes, bem encaminhados na evolução lógica da humanidade, desvalorizavam pelo contrário estas injustiças.

O disforme

Em vez de se colocar a questão da justeza destas visões, o meio médico confirma-as pelo seu comportamento irreflexivo.

É o caso da deformidade.

Segura da sua boa razão, a medicina propõe sistematicamente afastar da chegada à vida o que a sociedade julga disforme. As existências estimadas não conformes pelo mundo ultrapragmático (como o simples de espírito e o trissómico). Em vez de militar para melhorar a sua integração, ajudar os pais de crianças diferentes, fazer evoluir o olhar lançado sobre a trissomia, a medicina propõe a eliminação pura e simples desta forma de existência.

Quem pode julgar da deformidade ?

O disforme conforma a humanidade

Da capacidade de amar

Quando se observa a humanidade a partir da nossa empatia, podemos perguntar-nos onde está a real deformidade humana.

Está ela no simples de espírito capaz de oferecer o seu amor ingenuamente e envolvendo naturalmente o outro a amá-lo em troca ? Ou no ser humano muito inteligente, fisicamente normal, mas vazio de toda a empatia e não sabendo amar o outro simplesmente ? Para a humanidade, a atrofia da consciência, a ausência de empatia e de amor, não é mais perigosa do que a atrofia da inteligência ? A espécie humana não tem mais a temer do homem inteligente calculador e frio, visando instintivamente o assujeitamento do outro e do planeta, do que do simples de espírito vazio de todas estas pretensões ?

Pré-visão :

A nossa evolução ainda está na sua adolescência. Anos, décadas, séculos e milénios virão sem dúvida depois de nós. O nosso período de ultraconsumo, de competição feroz, de inconsciência e de narcisismo terminar-se-á. Parecerá aos nossos descendentes tão arcaico quanto o conforto da Idade Média nos parece. A era do mercado será ultrapassada — e talvez bem mais cedo do que se pensa. As algumas décadas que acabámos de viver serão sem dúvida consideradas como um grande momento de loucura. Um dia virá em que a humanidade terá atingido um tal grau de evolução empática que as crianças simples de espírito serão esperadas pelas famílias. Os pais serão considerados como afortunados. As pessoas pagarão pela sorte de passar algum tempo ao lado destes diferentes místicos curadores da alma.

2001

niilismo e ciência

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L'humanité va vers l'éveil

Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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