Um resultado diante dos nossos olhosSem dimensão espiritual, o ser humano pode tornar-se na consciência daquele que o visa um simples objeto, abrindo assim a porta ao eugenismo. Este desmoronamento do espiritual decorre de uma certa visão materialista e niilista (que Nietzsche já percecionara no seu tempo — e os crimes de massa do século XX são infelizmente o seu filho).
Se se retira a parte espiritual do ser humano, já não resta senão a sua parte material. Por outras palavras, as suas qualidades intelectuais e físicas. Se a sociedade o convence de que se reduz a isso, só poderá desenvolver estas qualidades básicas.
Se se recusa ligar uma certa espiritualidade ao corpo, reduz-se forçosamente este à sua plástica e aos seus órgãos.
É bem a forma como o mercado observa o ser humano desde que se tornou todo-poderoso. E é igualmente a forma como o mercado pede ao ser humano que se observe (aniquilando de passagem milénios de espiritualidade).
No entanto, um sondagem planetária colocaria sem dúvida a perfeição do corpo e a inteligência bem atrás das qualidades do coração. Na definição popular de um humano de boa qualidade, encontrar-se-ia antes de mais o homem bom e gentil.
Sem pôr em causa a investigação genética, que, sabemo-lo, parte de um bom sentimento e traz um progresso considerável à humanidade, o seu estado de espírito e a sua visão atual, parece-me, devem dissociar-se das visões do mercado (como a rentabilidade, a norma, etc.). Pelo contrário, a investigação deve aproximar-se da sua ética e dos valores filosóficos.
A evolução da inteligência e a busca da estética corporal também não estão a pôr em causa. Mas se estas noções se desenvolvem em detrimento da nossa capacidade de amar, o futuro arrisca simplesmente encontrar-se perante sérios problemas a resolver. Basta imaginar o que engendraria a união entre a inteligência fria e a capacidade de modificar o gene para compreender que tal mistura pode conduzir a humanidade para novas loucuras eugénicas.
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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