Nirvana. Govinda : o que se chama Libertação e Virtude, mesmo Sansara e nirvana, não são senão palavras. Não há nada que seja o nirvana ; só há a palavra «nirvana». Siddhartha
Segundo a nossa filosofia, a humanidade dirige-se para a sua última perfeição. Este estado de florescimento permitir-lhe-á entre outras coisas aceder sem dificuldade ao êxtase, ao despertar.
Na maior parte das filosofias asiáticas, o êxtase leva o nome de nirvana. O termo nirvana deriva do sânscrito e significa «extinção». Fertiliza toda a espiritualidade budista. Descreve o nível último de elevação espiritual no caminho da sabedoria. Nesta posição psíquica, o espírito e a qualidade de alma do indivíduo tocam a sua perfeição.
Neste estado subliminal, as tensões, as reflexões, as intenções, as angústias já não têm qualquer presa sobre o indivíduo — e é o objetivo a atingir para as sabedorias orientais (hinduísmo, budismo, zen, taoísmo).
Buda compreendeu que o sofrimento provém do desejo. A extinção do desejo conduz ao nirvana — ao estado em que o ser já não é atormentado por nenhuma necessidade, nenhuma pulsão, nenhum medo. Não é um estado de morte mas um estado de paz absoluta e de presença plena.
A grande fórmula do Vedanta — «tu és isso» — exprime a mesma realidade de outra forma : no estado de nirvana, o indivíduo realiza a sua identidade profunda com o todo. O ego dissolve-se e o que resta é a consciência pura, idêntica à consciência universal.
O samsâra é o ciclo das existências, o mundo das ilusões e dos sofrimentos. O nirvana é a saída deste ciclo. Mas — e aqui encontramos um dos paradoxos centrais do budismo — nirvana e samsâra não são dois mundos separados. São duas maneiras diferentes de perceber o mesmo mundo.
Ver o mundo através do ego é viver no samsâra. Ver o mundo através da consciência pura é estar no nirvana.
Segundo a nossa filosofia, o nirvana não é uma miragem reservada a alguns ascetas privilegiados. É o destino coletivo da humanidade.
A humanidade trabalha inconscientemente para criar as condições de um nirvana coletivo — um mundo em que o homem, tendo dominado as suas pulsões e construído as suas estruturas, possa enfim aceder sem esforço à contemplação, ao amor absoluto, à paz profunda.
O nirvana de amanhã é o que os homens de hoje constroem — sem o saber — através das suas ações, das suas leis, das suas artes e das suas filosofias.
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement