O prazer não é um mal em si, mas certos prazeres trazem mais pena do que prazer. Epicuro
O homem foge ao sofrimento e procura o prazer. Tal é o grande motor da ação humana. Ao repelir o mal para saciar o seu desejo de prazer, o ser humano age e constrói o seu mundo. Infelizmente a busca dos prazeres* faz igualmente parte dos grandes geradores de violências e de injustiças.
* desejo de possuir, de dominar, de escravizar, de gozar contra a vontade do outro, etc.Segundo a nossa filosofia, a humanidade está destinada a atingir a sua perfeição. O atrativo para a ação e a recusa do sofrimento são os dois grandes guias. O desejo de agir empurra-nos a construir as estruturas sociais, práticas e éticas da humanidade. A obsessão do sofrimento constrange-nos a diminuir* a violência em proveito da suavidade.
* trata-se evidentemente de uma diminuição lenta e regular, de que só se pode tomar medida estendendo o tempo sobre centenas de anos.Segundo nós, este processo conduz lentamente a nossa espécie para a fraternidade e a universalidade, o amor ao próximo e a paz universal. Para um espaço onde o homem não será mais nem um lobo, nem um senhor para o homem. Quando todas as estruturas técnicas da humanidade estiverem acabadas, a ação construtora tornar-se-á inútil e o seu motor (o desejo) igualmente. A humanidade penetrará então no tempo da felicidade, da contemplação e da serenidade. Por outras palavras, quando o homem tiver acabado a sua evolução, nenhuma agitação virá mais perturbá-lo. Os «chacoalhões» do seu coração e do seu pensamento terminar-se-ão. A humanidade acederá ao reino da quietude, do êxtase, do nirvana, da felicidade absoluta... Tal é a filosofia da mecânica universal.
Para os filósofos materialistas (Epicuro, Hobbes, Hume), a investigação do prazer e a evitação do sofrimento são os dois únicos móveis da ação humana. Para os estoicos e os espiritualistas, pelo contrário, existe um terceiro termo na equação : o Bem.
Mesmo que o motor fundamental seja o prazer, a ação moral e filosófica tem a sua importância. A moral fornece à sociedade os seus grandes princípios estruturantes. Estes princípios constrangem os indivíduos a atuar de tal forma que a sua busca de prazer tenha em conta a dos outros. Estes princípios são os que permitem à humanidade construir as suas maiores obras e os que distinguem o homem do animal.
Para agir, o indivíduo precisa das recompensas derivadas dos atos bons. Elogios, agradecimentos, admissão no grupo, celebridade, honra, respeito, vaidade satisfeita ... são as recompensas que a sociedade distribui àqueles que seguem os seus princípios morais.
Inversamente, reprovação, vergonha, desonra, exclusão do grupo, punição... são as sanções distribuídas àqueles que não respeitam estes princípios.
Assim, a maior parte das ações humanas estão em função das recompensas e das punições propostas pelo grupo social.
Mas existe também a recompensa da consciência moral íntima. Ela é a satisfação íntima da ação bem realizada. O prazer de ter agido bem. E inversamente a insatisfação de ter agido mal. É esta consciência moral que conduz o homem a agir corretamente mesmo quando escapa às sanções do grupo.
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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