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A linguagem do sintoma
Mécanique Universelle — versão portuguesa

A linguagem do sintoma

Um conselheiro gratuito

foto da fusão da calote glaciarO amor da criação

Esta natureza da consciência que consiste em não ter natureza. Merleau Ponty

A apreensão contemporânea do mundo pode ser qualificada de fenomenológica.

Para Paul Ricoeur, a fenomenologia coloca provisória ou definitivamente entre parênteses a questão do ser, para tratar como um problema autónomo a maneira de aparecer das coisas.

O ângulo fenomenológico é fundamental para a filosofia e o pensamento humano. Permitiu perder uma grande parte das irracionalidades inúteis e penalizantes para a evolução. Mas se forçarmos demasiado sobre o fenómeno, arriscamo-nos a fechar-nos um pouco demasiado às outras leituras do mundo. A minimizar as linguagens do coração, do poético, do metafórico, do hipersensível, do sintoma, etc.

O sintoma é uma linguagem por inteiro

As formas de linguagens utilizadas pelo vivente são diversas e variadas. Vão da comunicação intercelular à linguagem humana, passando pelas subtis mensagens do sintoma. O sintoma é uma linguagem não verbal tão importante como a linguagem verbal. Informa o homem sobre a sua saúde mas também sobre a da sociedade em que evolui ou sobre a da natureza que influencia.

Sintoma e sociedade

A origem da violência

Uma sociedade surda e cega

Quando numa sociedade os mesmos atos anormais se reproduzem, podem ser considerados como sintomas que nos convidam a procurar as suas causas reais.

Se se descobre uma massa anormal num corpo humano, reclama-se naturalmente um diagnóstico médico. Uma humanidade inteligente faria o mesmo com os comportamentos violentos ou paradoxais quando são exponenciais. Reuniria as suas melhores competências para compreender a sua origem a fim de parar o fluxo.

Da repressão

A forma como a sociedade atual trata os seus problemas pode ser qualificada de idiota — do latim idiota («inexperiente», «inábil», «tolo»). Responde à violência com o encarceramento sem refletir sobre as causas profundas desta violência. Age como o psiquiatra que enviasse o alcoólico para a desintoxicação sem lhe propor tratar os seus problemas psicológicos.

Quando uma sociedade está em crise, convida os homens a refletir sobre as causas profundas desta crise. Os sintomas são feitos para isso. Toda a surdez aos sintomas arrasta uma intensificação da afecção, consequências mais graves, e finalmente a morte se a surdez persistir.

Os gritos da natureza

Sintomas minimizados

a queda de ÍcaroOs fanáticos no poder

O mesmo se passa com a nossa relação com o ecossistema. Quando a natureza sofre uma agressão, envia sinais precursores. Sintomas que vão aumentando se a surdez persistir.

Segundo a nossa filosofia o mundo, o vivente e a humanidade estão em evolução. E toda a evolução parte de um ponto X e dirige-se para um ponto Y. Esta progressão tem portanto um sentido e este sentido obedece a leis capazes de o manter constante. Leis e lógicas gerem portanto a evolução. Estas regras organizam em silêncio a expansão do vivente sem que este disso seja consciente.

A única exceção a esta evolução inconsciente é o homem. Os progressos do seu psiquismo oferecem-lhe a possibilidade de compreender a lógica da criação. De apreender o seu sentido e o seu objetivo. O homem tem portanto os meios de decifrar a linguagem do vivente para se conformar às suas prescrições.

A animalidade do darwinismo social

Ouvir a natureza como o preconizavam os epicuristas e os estóicos faz-se no sentido dos valores humanos e não apoiando-se nos valores animais como faz a perversão. A utilização das leis da natureza para justificar o homem como lobo para o homem deveria ser proibida como a legitimação das matanças humanas sob o falacioso pretexto da seleção natural.

Trata-se simplesmente de reaprender a ouvir a linguagem do sintoma. De a adaptar à sociedade e de compreender que está aqui para nos convidar a tratar-nos.

Remorsos e gratificações

Quando ajo mal em relação ao meu próximo, quando transgredo as morais universais humanas, sofro. Colho remorsos, sofrimento mental, ou sofrimento físico (a prisão, etc.).

Pelo contrário, quando ajo bem em relação aos meus semelhantes, sinto uma satisfação psicológica e física. Tenho felicidade. A busca do homem sendo a felicidade, é mais lógico agir bem. Eis o tipo de linguagem que o vivente e a evolução nos oferecem.

ano 2001 — a linguagem de Deus

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Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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