
Talvez sem a perspectiva de morte não terminaríamos o que começamos a fazer J. Ziegler
De acordo com o mecanismo universal, a humanidade um dia se libertará do medo que a morte representa. De acordo com nós, de fato, nossa espécie conseguirá destruir a representação assustadora que é feita dessa finalidade.
O medo da morte está sofrendo. O homem que odeia sofrer, faz (e fará) tudo para destruir essa tortura. Este trabalho começou há muito tempo e alguns já o fizeram.
É o caso de uma minoria de batedores e sábios. Extinguindo seu ego através do êxtase, bem-aventurança, nirvana, eles destroem o medo da morte.
Hoje, essa capacidade é difícil para a maioria dos seres humanos. Mas um dia, estará ao alcance de todos.
Neste capítulo, estudaremos o que, na educação, promove o apego às coisas. O que dificulta a separação de objetos ou pessoas e o que, pelo contrário, deve facilitar a separação,
falamos, naturalmente, do desapego das "riquezas ilusórias", das falsas riquezas dependendo do objeto ou do egocentrismo, do desapego sendo um dos grandes pilares da espiritualidade. Desapego que permite ao homem alcançar uma morte mais serena e mais pacífica.
“Qualquer dor que não se desprenda é dor perdida. »Simone Weil
Parece-me que o poder desses apegos se manifesta nos primeiros momentos da existência. Nas primeiras horas, nos primeiros dias, nas primeiras semanas, nos primeiros meses da infância. A vida inteira de um adulto depende de quão tranqüilo ele era quando criança. Sua capacidade de desapego decorre da delicadeza com que ele deu seus primeiros passos neste mundo. A essa segurança infantil, é claro que se acrescenta a extensão que a comunidade dá ao campo da materialidade. O significado que os pais e a sociedade atribuem aos objetos e à superficialidade.
Tanto a forma dos acessórios quanto sua intensidade estão mudando. Os vínculos estabelecidos por peixes, répteis, mamíferos e humanos mostram algum progresso.
Esse progresso levou o apego inicial da vida (reptiliano) a apegos sensíveis; amigável, familiar e gregário (mamíferos), até os apegos mais elevados; ético, filosófico, artístico ou espiritual (homem).
Apegos mais elevados, como a devoção moral, por exemplo, podem transcender todos os outros atos. Revestido de ética, o homem pode se resignar à morte, Sócrates é o nosso melhor exemplo.
Mas, além da coragem socrática, o cume dos apegos mais elevados nos leva à alta espiritualidade. Ele nos eleva ao perfeito desapego do sábio, à posição mais elevada do extático. E é de fato esse desapego absoluto que queremos explicar neste capítulo.
Portanto, tentaremos entender por que êxtase, nirvana, bem-aventurança, em suma "experiências espirituais superiores" conseguem superar a morte.
Também explicaremos por que esse desapego absoluto ainda não está ao alcance do homem comum. Por que ainda pertence hoje, ao campo de experiências excepcionais. E por que, no entanto, corresponde ao futuro da humanidade.
2001
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
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