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A morte e o sofrimento
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A morte e os seus medos

A angústia do sofrimento

bucherO sofrimento psíquico

Compreender a morte serve para compreender a vida

Face à morte, os seres humanos não se comportam todos da mesma forma. Alguns temem-na quando outros a enfrentam com calma e serenidade.

O relato de Platão sobre a morte de Sócrates ou as propostas dos estoicos são alguns exemplos destas mortes serenas. A extinção de Siddhārtha Gautama também.

O Buda exausto faz-se depositar no meio de duas árvores gémeas. Deita-se plenamente consciente, de frente para o sol poente, cabeça a norte, do lado direito, a perna esquerda estendida sobre a direita. Reúne os seus discípulos e pergunta-lhes se já não têm incertezas tocante à Lei e à disciplina.

As suas últimas palavras foram: «Ó monges, trabalhai para a vossa própria libertação. Onde não há nada, onde nada pode ser apreendido, essa é a ilha última. Chamo-lhe nirvana. Extinção completa da velhice e da morte.»

Estes sábios mostram portanto que é possível aniquilar a angústia de se saber mortal e extinguir, graças ao desapego, todo o sofrimento psíquico.

O medo do sofrimento físico

O medo de sofrer fisicamente pode igualmente ser uma razão para recear a morte. Aqui, é o Ocidente que se encarrega, em grande parte, de responder a esta apreensão. Entrámos no tempo dos grandes combates contra todo o tipo de sofrimento físico. Neste ponto, as investigações médicas e farmacêuticas fizeram progressos consideráveis. Desde há algumas décadas, fornecem à maior parte do mundo industrializado (e irradiam para o mundo) a possibilidade de uma morte sem dor.

Aliar-se para ultrapassar a morte

Vemo-lo: o futuro tem meios para agir sobre estes dois grandes medos. À velocidade a que o mundo evolui, a humanidade conseguirá reunir os conhecimentos tradicionais e os progressos científicos. Aliará os conhecimentos adquiridos pelas espiritualidades asiáticas e as descobertas médicas ocidentais. O homem vencerá psiquicamente as angústias ligadas à finitude ao mesmo tempo que oferecerá a possibilidade de uma morte sem dor.

Por enquanto, o mundo Ocidental é ainda demasiado narcísico para estabelecer intercâmbios horizontais. Demasiado narcísico para aceitar a colaboração das outras culturas. Não parece ainda capaz de integrar pacificamente os conhecimentos das outras civilizações (conhecimentos do mundo Oriental, a propósito da morte).

Curiosamente aliás, a questão principal do homem (a morte) parece muito pouco refletida pelo Ocidente. Ocupa-se de fazer evoluir uma quantidade de coisas, exceto este acontecimento único. Seria interessante, no meu entender, colocar esta questão.

O futuro é a cooperação igualitária

Evidentemente, o futuro ultrapassará esta era narcísica. A investigação médica continuará a melhorar os seus produtos e as suas técnicas para mortes sem sofrimentos. As religiões ocidentais acabarão igualmente com os seus tabus macabros (a ideia do inferno, por exemplo).

Os laços entre Oriente e Ocidente tecer-se-ão completamente. Começa a compreender-se aliás a importância e o interesse da cooperação respeitosa.

A humanidade, graças a tudo isso, conseguirá oferecer ao homem um fim sem dor física nem psíquica.

2001

angústia de deixar os entes

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Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.

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