Se há mais de um século, as grandes perguntas metafísicas parecem ter abandonado as preocupações da nossa época, não desapareceram no entanto do espírito humano.
Quando a vida nos afasta em certas alturas da efervescência do mundo, as questões fundamentais ganham logo vivacidade de novo.
O universo faz algum sentido?
A humanidade tem algum propósito?
Porquê que estou no mundo?
A nossa existência e os nossos actos fazem sentido?
Há algo de divino no mundo?
Haverá outra coisa depois da morte?
O mercado pode muito bem camuflar essas interrogações espirituais por baixo dum amplo véu de barulho, de stress e de impulsividade, de trabalho forçado e sem descanso, mas essas perguntas ressurgem logo nos nossos momentos de relaxamento e nos nossos silêncios.
Quando vemos televisão e a sucessão de medos que ela emite, podemos facilmente ficar com uma visão sombria e pessimista da evolução humana. é fácil imaginar a nossa espécie em declínio e destinada ao seu próprio aniquilamento.
Pelo contrário, também podemos achar nela uma evolução positiva. Um melhoramento constante e global da condição do homem. Uma passagem sucessiva, etapa após etapa, conduzindo a nossa espécie em direcção a sua união serena e a sua verdadeira perfeição.
Não é a humanidade que está cada vez pior, é a nossa sensibilidade ao mal que se desenvolve …
Este é o ponto de vista que vamos defender e desenvolver aqui.
Falar sobre a evolução positiva nesta altura de transições é um assunto complicado. Ainda mais depois das monstruosidades humanas testemunhadas pelo século XX.
é difícil, porque temos de ser capazes de pensar no “mal” como algo reprovável, como um escândalo que d desaparecer, ao mesmo tempo que temos de justificar a necessidade da sua existência. Se queremos livrar-nos deste beco sem saída, temos de considerar o “mal” como um elemento subsidiário e em constante recuo, cujo único papel é o de fazer evoluir o “bem”.
Também temos de aceitar o paradoxo dum mal que acharíamos necessário à construção humana e ao mesmo tempo supérfluo, para que ele regrida progressivamente até desaparecer por completo.
Vejamos o caso da tortura por exemplo. Trata-se de uma barbaridade antiga que ainda hoje tem praticantes. A televisão e os relatórios da Amnistia Internacional são muito expressivos sobre este assunto.
E para demonstrar o progresso da humanidade apesar de ainda existir tortura, temos de poder dizer:
Assim, mesmo se a tortura ainda existe no século XXI, mostrando o nosso grau real de evolução, e mesmo se algumas democracias contornam as leis para praticá-la, a sua regressão progressiva não pode ser contestada. E isso é valido para todas as áreas onde é questão da evolução da humanidade.
o liberalismo caiu de encontro ás hegemoniasOutro obstáculo impede-nos de conceber claramente o avanço da humanidade para o “bem”.
Trata-se da regressão moral, social, humana e espiritual destes últimos 30 anos. Essa regressão é palpável apesar de ser ocasional. Só afecta uma parte da evolução. A humanidade, na sua globalidade, continua a progredir.
Como a maior parte dos indivíduos, as estruturas humanas procuram nas “outras estruturas” os limites da sua expansão. Esmagando qualquer forma de contra-poderes, o liberalismo caiu de encontro ás hegemonias. Considera-se todo-poderoso, e o seu orgulho também aumenta os riscos de autocracia.
Corrompendo gradualmente certos princípios, impondo os “valores” dos dominantes (egoísmo, agressividade, capitalização, narcisismo) o esmagador liberal não provoca outra coisa senão o recuo da democracia, que exige, pelo contrario, de escolher os valores dopovo (entreajuda, humildade, partilha, entendimento) como exemplos a seguir.
Se esse regresso do espiritual para a animalidade parece evidente, na verdade apenas acontece pontual e parcialmente.
Essa regressão está pendente duma evolução mais importante: a globalização.
A globalização é uma passagem obrigatória da humanidade, é responsável pela ascensão do nacional para o universal.
a regressão de alguns valores humanos é devida à subida em força dos valores mercantis.
a dominação dos valores mercantis é a consequência do facto da globalização estar ao serviço do mercado.
Esse facto está totalmente de acordo com a evolução da humanidade.
De facto, para que um Latino-americano, um Chinês, um Russo, um Japonês, um Africano, um Europeu, um Americano, um Oriental, etc. Se possam reunir sobre interesses comuns, os valores mercantis tinham de ser neutros e transnacionais.
Nenhuma religião e nenhuma ideologia seriam capazes de reunir o mundo à través de um sistema único e conveniente a todos.
Apenas os objectos, a moda, a música, o cinema, o turismo, a industria, ou seja tudo aquilo que o mercado oferece, é que é capaz, hoje, de reunir a humanidade. Apenas o mercado pode abrir caminho para um funcionamento mundial e universal e aceitar fazer evoluir as suas praticas nacionais e comunitárias no sentido de novas leis universais.
A globalização pelo mercado, não é então outra coisa senão um dos instrumentos para a paz universal que vaparecer. Resumindo, a globalização está a preparar a fusão das ideologias e das espiritualidades, ao centro duma quintessência comum e universal.
No entanto, esse domínio da globalização pelo sistema mercantil começa a ser um verdadeiro problema para os seres humanos.
Esse domínio tem um preço: o mercantilismo sistemático de todas as áreas da sociedade, incluindo a área humana e a sua espiritualidade.
Finalmente, quando o mercado está acima do povo, em vez de querer o seu bem procura a sua impulsividade e a sua dependência. Não tem descanso, para vender sempre mais mercadoria, para estimular a dependência, as fraquezas, as tendências, e as perversões. voyeursimo, atracção pela jogo, venalidade, consumo excessivo, narcisimo, elitismo, etc., ocupam pouco a pouco todo o espaço do espírito.
Este problema permanecerá até que o mercado fique totalmente sob controlo e reencontre o seu lugar legítimo dentro da humanidade, ou seja: o último lugar na influência da humanidade. O mercado tem de ser subordinado aos conceitos espirituais, ecológicos, políticos, educacionais, culturais, mediáticos, e ao povo.
Perceberam que este trabalho vai seguir dois objectivos muito distintos:
Quais são os verdadeiros valores que estão na nossa espécie? Qual é o sentido e a finalidade da nossa evolução? Eis algumas das perguntas que hoje é fundamental colocar-nos.
ano 2001
Ce n'est pas une utopie. C'est une trajectoire déjà visible, inscrite dans l'histoire depuis le premier primate. Lentement. Imparfaitement. Mais dans une direction.
☀️ Découvrir le fondement